O humorista e jurista Tiago Costa, filho do jornalista Gustavo Costa, dirigiu fortes críticas ao Presidente João Lourenço e ao partido no poder durante uma entrevista concedida esta quinta-feira, 5 de setembro, ao programa O Decreto.
O comediante questionou a forma como o Chefe de Estado tem lidado com os principais problemas do país, apontando, por exemplo, a permanência da ministra da Educação no cargo apesar de “dois milhões de crianças estarem fora do sistema de ensino”. Costa criticou ainda a ausência de investigações relacionadas com denúncias que envolvem o gabinete presidencial e o funcionamento da justiça, mencionando o juiz Joel Leonardo.
Durante a conversa, o humorista afirmou que gostaria de assumir funções governativas para mostrar a João Lourenço “quantos marimbondos e contrabandistas existem no atual executivo”. Acrescentou também que o Presidente “ri pouco” e, quando o faz, “não é pelos melhores motivos”. Para Costa, o país é governado em benefício de uma elite e não em prol dos cidadãos.
Tiago Costa revelou ainda ter convidado João Lourenço em quatro ocasiões para participar no programa de stand-up comedy *GOZ’AQUI*, sem nunca ter obtido resposta. Segundo explicou, os convites foram feitos através da Presidência, da sede do MPLA e até junto de conselheiros da República.
Apesar das críticas, o comediante afirmou acreditar que “o país é nosso” e garantiu que até militantes do MPLA o procuram para pedir apoio. Contudo, fez uma comparação polémica ao classificar o partido como uma “mulher tóxica que está a fazer mal aos angolanos”, defendendo que a organização política deve “arrumar a sua própria casa”.
Costa foi ainda mais longe, acusando o MPLA de nunca ter vencido eleições sem suspeitas de fraude. “Se em todas as eleições há denúncias de batota, como é possível sentir-se bem com isso?”, questionou, concluindo que existem membros dentro do partido que “ainda têm dignidade” e que podem ser aproveitados em benefício de Angola.

