A Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA) afirma que quatro pessoas ficaram feridas durante uma intervenção da Polícia da República de Moçambique (PRM) destinada a impedir uma marcha política em Quelimane, na província da Zambézia.
O incidente ocorreu no sábado, 15 de agosto, durante as actividades que assinalavam o primeiro aniversário da formação política fundada por Venâncio Mondlane.
Segundo um comunicado divulgado pelo partido, entre os feridos está um jornalista que terá sido atingido por um disparo policial. Duas crianças terão sofrido ferimentos relacionados com o uso de gás lacrimogéneo, enquanto um militante da ANAMOLA terá ficado ferido depois de ser atacado por abelhas.
O partido afirma que os quatro feridos receberam assistência hospitalar.
A ANAMOLA condenou aquilo que considera ter sido uma intervenção policial excessiva contra participantes que se preparavam para participar na marcha.
A formação política sustenta que a actividade era do conhecimento das autoridades e exige a abertura de um inquérito independente, transparente e célere para esclarecer as circunstâncias dos acontecimentos.
O partido também defende que os agentes eventualmente responsáveis por abusos sejam responsabilizados e pede garantias de segurança para a realização das suas actividades políticas em diferentes regiões do país.
As acusações apresentadas pela ANAMOLA não constituem, por si só, uma conclusão independente sobre a actuação dos agentes envolvidos.
A intervenção da polícia também provocou reacções da autarquia de Quelimane.
A presidente do município manifestou publicamente o seu desagrado perante a operação, classificando a resposta das autoridades como musculosa e desproporcional.
Imagens e relatos sobre a utilização de gás lacrimogéneo durante a concentração mostram populares a abandonar o local enquanto tentavam afastar-se da intervenção policial.
Venâncio Mondlane esteve em Quelimane para participar nas celebrações do primeiro aniversário da ANAMOLA. Durante a sua intervenção pública, o líder partidário afirmou que pretende conduzir a formação política a uma vitória nas eleições autárquicas previstas para 2028.
Mondlane declarou ainda que o partido pretende disputar os municípios de todo o país e mostrou-se confiante na capacidade da ANAMOLA para desafiar a FRELIMO, partido que governa Moçambique desde a independência, em 1975.
O dirigente também voltou a abordar os processos judiciais relacionados com as manifestações que se seguiram às eleições gerais de 2024. Perante os seus apoiantes, afirmou não temer uma eventual condenação ou detenção.
A tensão política ocorre num contexto ainda marcado pela crise desencadeada pelas eleições gerais de outubro de 2024.
Venâncio Mondlane, então candidato presidencial, contestou os resultados eleitorais que deram a vitória a Daniel Chapo e à FRELIMO. As manifestações convocadas durante o período pós-eleitoral provocaram uma forte resposta das autoridades e deram origem a numerosos processos judiciais e detenções.
De acordo com números citados pela Plataforma Decide, os protestos terão provocado centenas de mortes e milhares de detenções, embora os números possam variar consoante a fonte e o período considerado.
Mondlane foi eleito em junho de 2026 presidente da ANAMOLA, durante a primeira Convenção Nacional do partido, que havia sido criado em agosto de 2025.
A nova confrontação entre apoiantes da ANAMOLA e as forças de segurança em Quelimane reacende, assim, o debate sobre o exercício da liberdade de reunião e manifestação em Moçambique e sobre a actuação policial durante actividades de natureza política.

