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Comité Central da FNLA admite destituição do presidente do partido

by Marcelino Gimbi

Membros do Comité Central da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) advertiram esta terça-feira que o presidente do partido, Nimi a Nsimbi, pode vir a ser afastado do cargo caso continue a não cumprir os Estatutos, nomeadamente por não convocar a reunião do Comité Central responsável por anunciar a realização do Congresso Ordinário previsto para setembro de 2026.

A posição foi tornada pública durante uma conferência de imprensa realizada na sede da FNLA, em Luanda. Os dirigentes acusam o líder do partido de manter uma postura considerada “irredutível” e “inflexível”, que, segundo afirmam, tem contribuído para o bloqueio do funcionamento normal da organização política.

Num comunicado lido pelo membro do Comité Central Ndonda Nzinga, o grupo sustenta que Nimi a Nsimbi estará a tentar inviabilizar a preparação e a realização do VI Congresso Ordinário, com o objetivo de prolongar a sua permanência na liderança até às eleições gerais de 2027 e, desse modo, voltar a apresentar-se como cabeça de lista.

De acordo com os membros do Comité Central, estão a ser esgotadas todas as vias legais e estatutárias, bem como tentativas de diálogo interno, para viabilizar a realização de duas reuniões do órgão — uma ordinária e outra extraordinária — que permitam desbloquear o processo de convocação do congresso.

Ndonda Nzinga, Laiz Eduardo e Fernando Pedro Gomes, falando em nome de outros membros do Comité Central, sublinharam que os Estatutos da FNLA preveem a adoção de medidas severas em caso de violação persistente das normas internas, incluindo a eventual destituição do presidente do partido.

No documento apresentado, os signatários afirmam que as expectativas criadas com a atual direção, saída do V Congresso Ordinário, não foram concretizadas. Acusam ainda Nimi a Nsimbi de incumprir os objetivos definidos nesse conclave, de violar repetidamente os Estatutos do partido, a Constituição da República e a Lei dos Partidos Políticos.

Segundo estes dirigentes, a prometida unidade e reconciliação interna transformaram-se numa “ilusão”, alegando que a atual liderança substituiu práticas democráticas por métodos autoritários, marcados pela irregularidade na convocação e realização das reuniões dos órgãos centrais.

A FNLA, partido fundado por Álvaro Holden Roberto, atravessa uma fase de forte tensão interna. Um número significativo de membros do Comité Central acusa o presidente de evitar a prestação de contas, incluindo sobre os fundos públicos recebidos nas eleições de 2022, e de contribuir para a estagnação política e organizativa do partido.

Em dezembro de 2025, o Comité Central já tinha retirado a confiança política a Nimi a Nsimbi, concedendo-lhe um prazo de 30 dias para convocar a reunião em falta, sob pena de afastamento da liderança.

Em declarações recentes à Rádio Correio da Kianda, o presidente da FNLA atribuiu a crise interna à atuação do ex-líder do partido, Ngola Kabango, a quem acusa de mobilizar membros do Comité Central com o objetivo de o afastar da presidência.

Por sua vez, os membros críticos reiteram acusações de má gestão dos recursos do partido e de ausência de iniciativas de mobilização política e social, fatores que, segundo dizem, agravam a fragilidade interna da FNLA.

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