O portal Tribuna de Angola, frequentemente associado a estruturas ligadas à acção psicológica e à comunicação estratégica do Estado, publicou um artigo defendendo que o general Fernando Garcia Miala reúne plenas condições legais para exercer os seus direitos políticos, incluindo uma eventual candidatura à Presidência da República, afirmando que essa hipótese estaria a gerar desconforto nos círculos da oposição.
O texto, apresentado como uma análise de carácter técnico-jurídico e assinado pelo director da plataforma, classifica como parcial e juridicamente inconsistente a posição da jurista e comentadora Mihaela Webba, que tem questionado a elegibilidade do general. Segundo o portal, essas reservas desconsideram o quadro constitucional e legal que, na sua leitura, não impõe qualquer impedimento à participação política de Fernando Miala.
A Tribuna de Angola sustenta ainda que a confiança institucional demonstrada pelo Presidente da República ao nomear Fernando Miala para cargos de elevada responsabilidade e proximidade política constitui um sinal inequívoco da inexistência de obstáculos legais à sua eventual candidatura.
De acordo com o portal, as reacções críticas provenientes de sectores da oposição teriam motivações essencialmente políticas, e não fundamentos jurídicos sólidos. O general é descrito como uma figura que preenche os critérios de liderança frequentemente defendidos pelo Presidente João Lourenço e como alguém reconhecido internacionalmente pela sua competência profissional e perfil intelectual.
O artigo aborda igualmente a anterior condenação do general por insubordinação militar, minimizando os seus efeitos no plano político e jurídico. A Tribuna de Angola recorda que o episódio ocorreu num contexto marcado por decisões de conveniência política e sublinha que Fernando Miala foi posteriormente abrangido por uma amnistia, à semelhança de outras personalidades actualmente activas na vida política nacional.
Nesse sentido, o portal acusa sectores da oposição e alguns analistas de adoptarem uma abordagem selectiva, invocando antecedentes judiciais apenas quando tal favorece o confronto político.
Até ao momento, Fernando Garcia Miala não declarou publicamente qualquer intenção de se candidatar à Presidência da República, nem existe uma posição oficial do MPLA sobre essa possibilidade. Ainda assim, observadores políticos consideram que a insistência do portal em refutar críticas jurídicas e em destacar alegadas reacções da oposição funciona como um sinal político no espaço público.
O destaque dado ao tema reforça a percepção de que sectores próximos do poder procuram antecipadamente legitimar a ideia de que Fernando Miala é constitucionalmente elegível e politicamente relevante num contexto de crescente debate sobre a sucessão presidencial em Angola.

