Teerão/Washington – Reza Pahlavi, filho do último Xá do Irão, voltou ao centro do debate político internacional após apelos públicos que coincidiram com um aumento significativo dos protestos em várias cidades iranianas. Exilado nos Estados Unidos há quase cinco décadas, o antigo príncipe herdeiro tem-se afirmado como uma das figuras mais visíveis da oposição iraniana no exterior, defendendo uma transição pacífica para um sistema democrático e secular.
Nascido em 31 de outubro de 1960, Reza Pahlavi chegou ao mundo num contexto de forte simbolismo nacional. O seu nascimento foi celebrado como a garantia da continuidade da monarquia, numa altura em que o Xá Mohammad Reza Pahlavi procurava assegurar um herdeiro legítimo ao trono, após dois casamentos sem sucesso. A expectativa em torno do futuro rei marcou os primeiros anos da sua vida pública.
Em 1978, ainda adolescente, Reza Pahlavi deixou o Irão para frequentar uma escola de aviação militar nos Estados Unidos. Pouco tempo depois, o regime monárquico entrou em colapso com a Revolução Islâmica de 1979, forçando o seu pai ao exílio. A vitória da revolução pôs fim à monarquia e inaugurou a República Islâmica, alterando de forma definitiva o destino da família Pahlavi. O antigo Xá morreria no exílio menos de dois anos depois.
Com a morte do pai, Reza Pahlavi assumiu simbolicamente o papel de herdeiro, declarando-se disponível para cumprir as suas responsabilidades como rei legítimo, embora tenha adiado qualquer juramento constitucional formal devido à situação política do país. Ainda assim, comprometeu-se publicamente a agir como um elemento de unidade nacional, numa fase marcada pela incerteza e pelo afastamento forçado da sua terra natal.
Desde então, a sua vida tem sido marcada pelo exílio e pela atividade política no exterior. Depois de concluir formação em aviação, iniciou estudos em ciência política e obteve um grau académico por correspondência. Ao longo dos anos, passou a concentrar-se na defesa dos direitos humanos no Irão e na mobilização da diáspora iraniana.
Atualmente com 65 anos, Reza Pahlavi rejeita a ideia de um regresso automático à monarquia. Defende antes que o futuro do Irão deve ser decidido pelos próprios iranianos através de referendos nacionais livres, propondo um Estado democrático, laico e baseado no primado da lei. Segundo as suas declarações, a mudança política deve ocorrer de forma pacífica e inclusiva, evitando cenários de violência ou colapso institucional.
Os recentes protestos no país, amplificados por meios de comunicação em língua persa no estrangeiro, reforçaram a visibilidade do antigo príncipe herdeiro. Para os seus apoiantes, Reza Pahlavi representa uma alternativa simbólica ao regime atual; para os críticos, continua a ser uma figura ligada a um passado controverso. Ainda assim, o seu nome volta a surgir com força no debate sobre os possíveis caminhos para o futuro político do Irão.

