O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniu-se com cerca de duas dezenas de executivos das principais empresas petrolíferas para tentar relançar o investimento estrangeiro na indústria petrolífera da Venezuela, defendendo a aplicação de até 100 mil milhões de dólares na recuperação da capacidade produtiva do país.
Durante o encontro, realizado na Casa Branca, Trump procurou convencer os líderes do setor a regressarem ao mercado venezuelano, prometendo garantias de segurança para as operações e sugerindo que um acordo poderia ser fechado “ainda hoje ou muito em breve”. O chefe de Estado norte-americano afirmou que pretende selecionar diretamente as empresas que receberiam autorização para explorar as reservas de crude, deixando claro que, caso algumas não estejam interessadas, outras estariam dispostas a ocupar o seu lugar.
Apesar do tom confiante do Presidente, a maioria dos executivos mostrou reservas quanto à proposta. Segundo participantes na reunião, a recente intervenção militar que levou à deposição de Nicolás Maduro pode abrir uma nova janela de oportunidade, mas o contexto ainda exige cautela e um longo trabalho preparatório antes de qualquer investimento no terreno.
O CEO da Exxon Mobil, Darren Woods, foi um dos mais claros nas suas dúvidas, afirmando que, neste momento, não existem condições para investir na Venezuela. O responsável sublinhou a necessidade de um enquadramento legal e comercial sólido que permita avaliar o retorno dos investimentos, lembrando que a empresa já foi alvo de expropriações no país em duas ocasiões.
Também Harold Hamm, da Continental Resources e aliado histórico de Trump, manifestou ceticismo, reconhecendo a dimensão do investimento necessário e defendendo mais tempo para análise, embora tenha admitido algum entusiasmo com o potencial exploratório do projeto.
Outras companhias revelaram maior abertura. A espanhola Repsol, através do seu presidente executivo, Josu Jon Imaz San Miguel, indicou disponibilidade para reforçar o investimento na Venezuela, desde que seja criado um quadro legal e comercial estável que ofereça previsibilidade às empresas.
Trump voltou a insistir nas garantias de segurança, sem detalhar como seriam asseguradas, e prometeu retornos rápidos para as empresas que investirem em novo equipamento. O Presidente afirmou ainda que os Estados Unidos estão a trabalhar de forma próxima com as autoridades venezuelanas na reconstrução das infraestruturas de petróleo e gás, referindo um acordo que poderá envolver a receção de até 50 milhões de barris de crude venezuelano. A petrolífera estatal PDVSA confirmou que decorrem negociações nesse sentido.
De acordo com a Casa Branca, estiveram representadas na reunião empresas como Chevron, ExxonMobil, ConocoPhillips, Halliburton, Valero, Marathon, Shell, Trafigura, Vitol Americas, Repsol, Eni, entre outras grandes operadoras do setor energético.

