Luanda – O governador do Banco Nacional de Angola (BNA) defendeu, esta sexta-feira, 9 de janeiro, que o combate à inflação no país deve continuar centrado no reforço da produção de bens e serviços, com especial atenção para o aumento da oferta interna de produtos alimentares.
Manuel Tiago Dias fez estas declarações durante um encontro com a imprensa, no qual analisou o comportamento da inflação ao longo de 2025, ano que encerrou com uma taxa de 15,70%. Segundo o responsável, o arranque de novas unidades industriais previsto para 2026 deverá contribuir para o crescimento da oferta de bens essenciais e ajudar a conter a pressão sobre os preços.
O governador reconheceu que a descida do preço do petróleo nos mercados internacionais tem impacto direto na disponibilidade de divisas da economia nacional. No entanto, sublinhou que o BNA tem vindo a reforçar as reservas internacionais, criando uma margem de segurança para apoiar o funcionamento da indústria transformadora.
De acordo com Manuel Tiago Dias, houve acumulação de reservas tanto em 2024 como em 2025, o que, no seu entender, permitirá assegurar o fornecimento de matérias-primas ao setor industrial e impulsionar a produção interna, com reflexos positivos no controlo da inflação.
Dados recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que o Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN) registou, em dezembro de 2025, uma variação homóloga de 15,70%, representando uma desaceleração de 0,86 ponto percentual face a novembro e de 11,80 pontos percentuais em comparação com o mesmo período de 2024.
Entre as classes de bens e serviços, o setor dos transportes apresentou o maior aumento de preços, com uma variação homóloga de 19,18%. Seguem-se as classes da saúde, com 17,38%, habitação, água, eletricidade e combustíveis, com 17,01%, e alimentação e bebidas não alcoólicas, com 16,15%.
A classe de alimentação e bebidas não alcoólicas foi a que mais contribuiu para a subida do nível geral de preços em dezembro, com um impacto de 9,78 pontos percentuais. Também tiveram influência significativa os bens e serviços diversos, os transportes e a saúde, enquanto as restantes classes registaram contributos mais reduzidos.
Em termos regionais, as províncias com menor variação de preços foram Huambo, com 13,60%, Cuando Cubango, com 14,06%, e Luanda, com 14,20%. Já os maiores aumentos no nível geral de preços foram observados em Cabinda, com 25,54%, seguida da Lunda Sul, com 18,32%, e do Bié, com 17,68%.

