Kiev/Lviv – A Rússia realizou na madrugada desta sexta-feira um dos maiores ataques aéreos contra a Ucrânia desde o início do conflito, recorrendo a dezenas de drones, mísseis de cruzeiro e, pela primeira vez de forma destacada, ao míssil balístico hipersónico de alcance intermédio conhecido como Oreshnik. Os bombardeamentos causaram pelo menos quatro mortos e mais de duas dezenas de feridos em Kiev, além de danos significativos em várias regiões do país.
Segundo autoridades ucranianas, um dos alvos do ataque foi a região ocidental de Lviv, onde terá sido utilizado o míssil Oreshnik, uma das armas mais recentes do arsenal russo. Moscovo não confirmou oficialmente o local atingido, mas meios de comunicação russos e analistas militares indicam que o projétil poderá ter visado uma grande infraestrutura subterrânea de armazenamento de gás natural.
De acordo com o Comando Ocidental da Força Aérea da Ucrânia, o míssil deslocou-se a uma velocidade aproximada de 13 mil quilómetros por hora. O Oreshnik, cujo nome em russo significa “avelã”, pode ser equipado com ogivas nucleares e foi concebido para atingir alvos a longa distância, sendo apresentado pelo Kremlin como um símbolo do avanço tecnológico das forças armadas russas.
O primeiro uso confirmado deste tipo de míssil ocorreu em novembro de 2024, num ataque à cidade de Dnipro, embora na altura tenham surgido dúvidas e versões contraditórias. Moscovo afirma que o recurso a mísseis balísticos de médio alcance faz parte de uma resposta a alegadas tentativas ucranianas de atacar a residência do presidente russo, Vladimir Putin — acusações que foram negadas por Kiev, pelos Estados Unidos e por avaliações da CIA.
Na capital ucraniana, Kiev, outro ataque envolvendo mísseis e drones provocou a morte de quatro pessoas e deixou pelo menos 22 feridos, segundo as autoridades locais. Entre as vítimas mortais encontra-se um paramédico, atingido durante um chamado “ataque duplo”, quando equipas de socorro prestavam assistência no local.
Vários bairros da cidade sofreram danos, com edifícios residenciais atingidos ou afetados por destroços. No distrito de Desnyanskyi, um drone caiu sobre o telhado de um prédio de vários andares, enquanto noutro edifício próximo os dois primeiros pisos ficaram danificados. Já no distrito de Dnipro, fragmentos de um drone causaram um incêndio num edifício habitacional.
O presidente da câmara de Kiev, Vitali Klitschko, informou que o fornecimento de água e eletricidade foi interrompido em algumas zonas da capital devido aos bombardeamentos.
A Força Aérea ucraniana indicou que a Rússia lançou um total de 242 drones e 36 mísseis de diferentes tipos durante esta ofensiva. As autoridades já tinham emitido alertas prévios sobre a ameaça de mísseis balísticos e a aproximação de drones, apelando à população para procurar abrigo.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, avisou que Moscovo estaria a tentar aproveitar as condições meteorológicas adversas, com frio intenso e estradas geladas, para intensificar os ataques, reiterando a necessidade de a população respeitar os alertas antiaéreos.
Entretanto, do lado russo, as autoridades regionais de Belgorod anunciaram que mais de meio milhão de pessoas ficaram sem eletricidade após um ataque atribuído às forças ucranianas. O governador Viatcheslav Gladkov afirmou que cerca de 556 mil residentes de seis municípios foram afetados pela falha de energia, com impactos também no aquecimento, abastecimento de água e saneamento.
A região de Belgorod situa-se junto à fronteira com a cidade ucraniana de Kharkiv e tem sido alvo frequente de incidentes desde o agravamento do conflito.
Os ataques desta sexta-feira evidenciam uma nova escalada militar, num momento em que o conflito continua sem sinais claros de desescalada diplomática.

