A crescente influência energética dos Estados Unidos volta ao centro do debate internacional depois da operação militar que resultou na captura de Nicolás Maduro e de Cilia Flores, na madrugada de 3 de janeiro, em Caracas. A ação, marcada por fortes explosões que despertaram a capital venezuelana, evidencia o peso geopolítico do petróleo — um recurso que Washington procura consolidar como instrumento de poder global.
A revolução do petróleo de xisto transformou os Estados Unidos no maior produtor mundial, alterando profundamente o equilíbrio energético. Com esta vantagem, Washington reforçou a sua autonomia e ganhou capacidade acrescida para influenciar os mercados internacionais.
Nos últimos três anos, os preços do petróleo têm registado uma trajetória descendente, acompanhando o aumento da produção global e a desaceleração económica em várias regiões.
A eventual incorporação das vastas reservas de petróleo da Venezuela — as maiores do mundo — no raio de influência norte-americano conferiria a Washington um poder ainda mais significativo sobre um dos recursos naturais mais disputados pelas grandes potências.
A operação militar que retirou Maduro do país, iniciada num clima de tensão prolongada entre Caracas e Washington, ilustra o interesse estratégico que os EUA têm vindo a demonstrar na região. Embora o ex-presidente venezuelano tenha minimizado as ameaças de Donald Trump, o líder americano já havia deixado claro que estava disposto a agir.
A rápida intervenção norte-americana confirmou os avisos que Trump vinha lançando, ao acusar Maduro de chefiar uma rede internacional de narcotráfico associada a um cartel considerado terrorista pelos EUA. O ataque militar veio materializar tais ameaças e abriu um novo capítulo na disputa pelo controlo das reservas energéticas da América Latina.

