O ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro afirmou-se inocente das acusações de tráfico de droga durante a sua primeira comparência num tribunal federal de Nova Iorque, esta segunda-feira, poucos dias depois de ter sido capturado em Caracas numa operação militar norte-americana.
“Sou inocente. Não sou culpado de nada do que está a ser alegado”, declarou Maduro perante o juiz Alvin Hellerstein. “Sou um homem decente, o presidente do meu país”, acrescentou.
A seu lado esteve a esposa, Cilia Flores, que também rejeitou todas as acusações, garantindo ser “completamente inocente”.
Segundo os registos judiciais, Maduro é representado pelo advogado Barry Joel Pollack, conhecido por integrar a equipa de defesa de Julian Assange. A defesa deverá argumentar que a detenção é ilegal, alegando imunidade de chefe de Estado.
A acusação, com 25 páginas, sustenta que Maduro e vários colaboradores teriam colaborado com cartéis para enviar grandes quantidades de cocaína para os Estados Unidos. Se forem condenados, poderão enfrentar prisão perpétua.
Tanto Maduro como Cilia Flores permanecem sob sanções norte-americanas, o que impede qualquer cidadão dos EUA de realizar transações financeiras com ambos sem autorização do Departamento do Tesouro.
Transportado num veículo blindado desde o centro de detenção no Brooklyn, Maduro chegou ao tribunal de Manhattan sob forte aparato policial. Vestido com uniforme bege e ténis laranja, foi apresentado ao juiz por volta das 17h (hora de Lisboa) num processo que deverá prolongar-se durante meses.
No exterior, manifestantes reuniram-se em protesto contra o antigo líder venezuelano.
O caso está a cargo do juiz federal Alvin K. Hellerstein, 92 anos, figura respeitada do Distrito Sul de Nova Iorque, que ao longo das últimas décadas presidiu a processos relacionados com terrorismo e segurança nacional.
Maduro e a esposa foram capturados no sábado numa operação militar dos EUA, que os retirou de uma base militar venezuelana. O antigo presidente norte-americano Donald Trump defendeu a ação e chegou a afirmar que Washington assumiria temporariamente a governação da Venezuela. Porém, o secretário de Estado Marco Rubio negou qualquer intenção de administrar o país, sublinhando apenas a manutenção da “quarentena petrolífera”.
Durante a viagem no Air Force One, Trump voltou a elevar o tom contra líderes da região, acusando o presidente colombiano, Gustavo Petro, de promover o tráfico de droga.
Em Caracas, a Assembleia Nacional prepara-se para dar posse a Delcy Rodríguez como presidente interina. Ex-vice-presidente desde 2018, Rodríguez assume o cargo por ordem do Supremo Tribunal, após a captura de Maduro. Conta com o apoio das Forças Armadas e declarou-se disponível para cooperar com Washington — o que poderá representar uma mudança significativa nas relações bilaterais.
Trump, no entanto, advertiu que Rodríguez enfrentará “um preço muito alto” caso “não faça o que é certo”, afirmando à revista The Atlantic que a nova líder poderá vir a sofrer consequências ainda maiores do que o seu antecessor.

