Os moradores da Zona Intermédia, Ponto 1, no Zango 3 A, município do Calumbo, na Província de Icolo e Bengo, que vivem em casebres de chapas, não são tidos nem achados pela administração local.
By: Victor Kavinda
A comissão de moradores da referida zona no zango 3 A, realizou recentemente a conferência de imprensa para denunciar a ocupação ilegal de terrenos e a alegada conivência de funcionários da administração municipal de Calumbo na legalização de documentos forjados vindo daquela instituição.
Um dos moradores daquela área disse que teme pela vida, porque o bairro não apresenta segurança, os meliantes usam e abusam da população, “fraca presença da polícia”.
“Nós vivemos nestes casebres a mais de 18 anos, com várias promessas falsas dos administradores que são colocados para dirigirem o nosso município. ”
O lixoa, a falta de saneamento básico, de água potável e a energia elétrica, não se faz sentir nesta população. Lamenta o jovem.
Segundo o coordenador da comissão, Sebastião João, os conflitos remontam a 2019, quando a área ainda pertencia ao município de Viana, sob administração de André Soma.
“Desde 2019 que enfrentamos um conjunto de irregularidades. A nossa zona, que inicialmente pertencia a Viana, foi concebida como um projecto habitacional estruturado, com previsão para escolas, clínica, creche, esquadra da polícia, igreja e comércio. Infelizmente, tudo isso foi sendo ocupado por invasores”
Sebastião João, disse ainda, que foram traídos por um projecto que garantia escolas e segurança. Hoje, o que vemos são construções ilegais que até obstruem vias principais como a rua Zango–Calumbo.
Os moradores suspeitam do envolvimento de funcionários da antiga administração de Viana e de fiscais da actual administração do Calumbo, que supostamente teriam autorizado construções ilegais.
A comissão afirma ter feito diversas diligências junto à administração municipal de Viana, que chegou a ordenar demolições durante o mandato do administrador Demétrio António Brás de Sepúlveda, mas as obras foram rapidamente reconstruídas.
“As casas foram demolidas, mas voltaram a ser erguidas. Em Quitundo 1, as ocupações também persistem, e agora há construções definitivas até nas vias principais”, lamentou o coordenador.
Com a criação do município do Calumbo, em 2024, os moradores voltaram a apresentar o caso, desta vez à nova administração local, mas segundo relatam, nunca foram recebidos pelo então administrador Miguel de Almeida.
“A fiscalização está viciada. Vieram cá, viram as obras ilegais e nada fizeram”, disse Sebastião João.
Moradores acusam um coordenador identificado como Catombela, actual responsável pela zona do Quitundo 1 (Bate Chapa), de ser o principal promotor das ocupações.
“O coordenador Catombela vendeu os espaços e faz parte da fiscalização do Calumbo. Já trabalhou na de Viana e continua a fazer as mesmas falcatruas”, acusou um morador identificado como Fernando Vinte e Cinco. Os residentes afirmam que há ordens de demolição ignoradas, sob o argumento de que a administração não possui meios técnicos.
“Os fiscais dizem que não têm máquinas e pedem à população para arranjar. É uma vergonha. Tudo em nome do coordenador Catombela”, disse outro morador.
O senhor Catombela, negou as acusações e afirmou que só comentará o caso se os denunciantes forem apresentados pessoalmente à sua comissão de moradores.
Este portal, aguarda que a novo administrador coloca ordens e soluções nestes problemas.
“Só cedo declarações contrárias se me trouxerem os denunciantes”, respondeu.
A comissão da Zona Intermédia, Ponto 1, pede um encontro urgente com o novo administrador municipal de Calumbo, Francisco Tchipilica, para encontrar uma solução definitiva.
“Queremos apenas que as autoridades ouçam a população e restabeleçam a ordem. Todas essas obras são ilegais”, concluiu Sebastião João.

