A saída voluntária do jornalista Neto Segunda do cargo de director da Comunicação Social da Administração Municipal do Calumbo desencadeou uma onda de denúncias que resultou na exoneração do administrador Miguel Silva de Almeida, anunciada pelo governador Auzílio Jacob.
Neto Segunda, também profissional da Rádio Nacional de Angola (RNA), justificou a demissão com alegadas atitudes de desrespeito por parte de Almeida. Num documento divulgado esta semana, o ex-director descreve um ambiente laboral marcado por tensão e conflitos desde os primeiros dias de gestão. O relatório menciona, por exemplo, a exoneração do director da Fiscalização logo nas primeiras semanas, acto classificado como humilhante.
Perante as críticas, Miguel Silva de Almeida — que actualmente exerce funções de secretário do MPLA no município — rejeitou acusações de autoritarismo. Em declarações a O Decreto, afirmou privilegiar “rigor, pontualidade, assiduidade e produtividade” na condução das equipas.
No entanto, outras fontes internas traçam um cenário distinto. Sob anonimato, vários funcionários relataram problemas de gestão, alegando que o administrador teria passado a actuar sob influência de terceiros, identificados como “Madeira” e “Pai Diesel”. As mesmas fontes afirmam ainda que Almeida se ausentava frequentemente do país sem autorização superior e que o clima no interior da administração se deteriorou a ponto de um dos administradores adjuntos abandonar as funções.

As denúncias incluem também pressões externas para a atribuição de obras, o que teria motivado a exoneração de um secretário-geral que se recusou a incluir determinadas empresas por falta de capacidade técnica. Outro caso citado refere a saída de Adilson Janota, supostamente afastado por influência de grupos externos.
A governança de Miguel Silva de Almeida terá acumulado queixas ao longo de dez meses, período em que o município registou um número invulgar de exonerações e novas nomeações. O ambiente de trabalho teria atingido níveis considerados “insustentáveis”, afectando desde administradores adjuntos até trabalhadores dos serviços gerais.
As críticas não se limitaram ao quadro interno. O filósofo e artista plástico António Tomás Ana (Etona) acusou publicamente o então administrador de inviabilizar a regularização de um terreno destinado a uma escola de artes. Já o ministro Mário Oliveira terá lamentado a falta de respeito protocolares, após não ter sido recebido pelo administrador em acto oficial.

A decisão de afastar Miguel Silva de Almeida foi tomada numa reunião do Conselho do Governo, com o governador Auzílio Jacob a justificar a medida com “processos pendentes” no Serviço de Investigação Criminal (SIC), relacionados com conflitos de terrenos. O governante afirmou ainda que o SIC tinha reportado sucessivas falhas de comparência do administrador às notificações emitidas.
Com a exoneração, Almeida foi colocado à disposição das autoridades competentes. O Decreto indica que continuará a acompanhar o desenvolvimento do caso e a reorganização administrativa no município do Calumbo.

