Moçambique e a União Europeia (UE) reforçaram esta semana, em Pemba, a cooperação no combate ao terrorismo, na ajuda humanitária e no desenvolvimento da província de Cabo Delgado. O encontro juntou membros do Governo moçambicano e diplomatas europeus no terceiro Diálogo de Parceria, marcado por anúncios de novos financiamentos e apelos a resultados concretos.
Durante a sessão de abertura, a ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela Lucas, afirmou que o país vive um momento de estabilidade política e institucional, destacando o “funcionamento normal do Estado” e os avanços obtidos no combate à insurgência que há anos assola o norte do país.
Lucas sublinhou que realizar o encontro em Pemba tem uma carga simbólica e prática, já que Cabo Delgado continua a ser palco de operações contra grupos armados. “Estamos aqui porque esta província reflete os esforços conjuntos do Governo e dos parceiros na erradicação do terrorismo”, afirmou.
O embaixador da União Europeia em Moçambique, Antonio Maggiore, reiterou o compromisso europeu com a estabilização de Cabo Delgado, confirmando novos financiamentos e lembrando os valores já aplicados.
Segundo o diplomata, entre 2024 e 2025, a UE e os seus Estados-membros destinaram 40 milhões de euros à ajuda humanitária na província. No domínio do desenvolvimento, o bloco afirma ter desembolsado 375 milhões de euros desde 2019, valores que apoiam infraestruturas, programas sociais e iniciativas de resiliência comunitária.
“Cabo Delgado é uma prioridade para Moçambique e também para a União Europeia”, reforçou Maggiore, sublinhando que a parceria abrange segurança, fortalecimento institucional e direitos humanos.
Governo moçambicano quer transformar Cabo Delgado num polo económico
Além do foco na segurança, o encontro teve como objetivo divulgar as potencialidades económicas de Cabo Delgado e atrair investidores. O Executivo liderado por Daniel Chapo considera que a província tem condições para se tornar um dos principais polos de investimento do país, especialmente nos setores do turismo, energia e recursos naturais.
A ministra Lucas destacou que o encontro em Pemba permitiu aos parceiros europeus conhecerem de perto as oportunidades económicas e a diversidade cultural da região, sinalizando a intenção do Governo de acelerar o desenvolvimento local.
Apesar da mensagem de estabilidade, autoridades locais e organismos internacionais continuam a alertar para ataques esporádicos e deslocações forçadas de populações em várias zonas da província. A UE tem pressionado para que os investimentos resultem em maior segurança no terreno e na melhoria das condições de vida das comunidades afetadas.
O diálogo em Pemba marca mais um capítulo na cooperação entre Moçambique e a União Europeia, que promete manter apoio contínuo, mas também exige avanços mais visíveis no restabelecimento da paz e no desenvolvimento sustentável da região.

