A 5.ª Cerimónia de Condecorações presidida pelo Presidente da República, João Lourenço, destinada a assinalar os 50 anos da independência nacional, voltou a despertar polémica. A entrega de medalhas a diversas figuras públicas, entre elas músicos, jornalistas, governadores e atletas, foi alvo de críticas da ativista angolana Laura Macedo, que acusou o chefe de Estado de transformar as homenagens em ferramenta de propaganda política.
Entre os distinguidos estiveram personalidades como os músicos C4 Pedro, Yola Semedo e Anselmo Ralph, jornalistas como Teixeira Cândido e Pedro Neto, e atletas como Manucho Gonçalves. Também governadores e responsáveis políticos, como Nuno Dala e Narciso Benedito, receberam medalhas comemorativas.
Para Laura Macedo, no entanto, o processo carece de rigor e transparência. Em declarações à DW, a ativista denunciou a existência de homenagens atribuídas a pessoas sem contributo relevante para o país e, em alguns casos, a indivíduos “com histórico de violência e crimes”. “Misturam-se vítimas e carrascos do 27 de maio no mesmo palco. Isso não tem credibilidade”, afirmou.
A crítica apontou ainda que os nomes dos homenageados são divulgados antes mesmo de se recolherem as biografias oficiais, questionando a seriedade do procedimento. Para além da falta de critérios, Laura Macedo sublinhou os custos elevados da iniciativa: “Num país com fome, gastam milhões de dólares em medalhas. Dizem que são de ouro maciço, mas aquilo é latão banhado a ouro. É um desperdício de recursos públicos.”
A cerimónia, que tinha como objetivo enaltecer meio século de independência, acabou por levantar debate sobre o real significado das condecorações e a necessidade de criar mecanismos independentes de seleção, de modo a garantir que as distinções representem efetivamente mérito e serviço à nação.

