Luanda – Dois cidadãos russos e dois angolanos permanecem detidos em Angola, acusados de terrorismo, financiamento ao terrorismo, associação criminosa e falsificação de documentos. Entre os detidos está um jornalista da Televisão Pública de Angola (TPA) e um militante da UNITA, enquanto outro jornalista, do *Expansão*, já foi libertado 48 horas após a detenção.
De acordo com o Serviço de Investigação Criminal (SIC), os cidadãos russos são suspeitos de recrutar e financiar angolanos para difundir propaganda nas redes sociais e incitar manifestações durante os recentes protestos no país.
O jornalista e analista José Gama, em entrevista à DW África, defendeu que os russos estariam em Angola para criar uma associação cultural, no âmbito da chamada *soft diplomacy* de Moscovo, estratégia semelhante à adotada noutros países com centros de cooperação cultural. Segundo Gama, as autoridades interpretaram as suas ações como uma ameaça, associando-os ao grupo paramilitar Wagner.
Enquanto isso, o Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) acompanha o caso e garante assistência jurídica ao repórter da TPA ainda em prisão preventiva, atualmente transferido para Calomboloca, estabelecimento prisional de alta segurança.
O desfecho do processo permanece incerto. Contudo, José Gama recorda o precedente do Chade, onde três cidadãos russos acusados de crimes semelhantes foram libertados por via política e diplomática. “É possível que aconteça o mesmo em Angola”, sugeriu.
As autoridades angolanas afirmam já ter notificado Moscovo, embora uma fonte russa citada pelo *Novo Jornal* tenha negado a receção da comunicação. Em fim de missão, o embaixador da Rússia em Angola, Vladmir Tararov, garantiu que as relações bilaterais “se mantêm num bom caminho”.

