Pelo menos dez pessoas morreram nesta segunda-feira (07) durante manifestações contra o governo queniano, segundo a Comissão Nacional dos Direitos Humanos do Quénia (KNCHR). Os protestos, marcados por confrontos violentos com as forças de segurança, ocorreram principalmente na capital, Nairobi.
Desde as primeiras horas do dia, a polícia bloqueou os acessos ao centro da cidade, utilizando gás lacrimogéneo e força para dispersar os manifestantes, especialmente na zona de Kangemi. De acordo com a polícia queniana, mais de 560 pessoas foram detidas em várias regiões do país. O mesmo comunicado confirma também que diversos agentes de segurança ficaram feridos.
As manifestações coincidiram com a comemoração do “Saba Saba”, um movimento histórico que há 35 anos impulsionou a transição do país para um sistema democrático multipartidário. Atualmente, os protestos têm como alvo o governo do Presidente William Ruto, acusado de corrupção, má governação, aumento do custo de vida e uso excessivo da força policial.
Para conter as manifestações, o governo reforçou o bloqueio das principais vias de acesso ao Parlamento e à sede do Executivo com arame farpado, restringindo a circulação de pessoas e veículos, exceto para serviços essenciais. Muitas empresas permaneceram encerradas, e a atividade económica ficou parcialmente paralisada no centro da capital.
Apesar do apelo do Ministro da Função Pública, Geoffrey Ruku, para que os funcionários públicos se apresentassem ao trabalho, a adesão foi limitada devido ao clima de tensão. Segundo relatos, os manifestantes incendiaram barricadas e atiraram pedras, enquanto a polícia respondeu com gás lacrimogéneo e uso da força.
A Comissão Nacional dos Direitos Humanos denunciou ainda que muitos agentes atuaram à paisana, em viaturas descaracterizadas, violando uma ordem judicial que exige identificação adequada durante operações de segurança.
“O governo está a utilizar a polícia de forma abusiva. Estamos a ser tratados como alvos, não como cidadãos. Devíamos ser protegidos por eles, não mortos”, denunciou Evans Nyakwara, residente em Nairobi.
Esta nova vaga de protestos segue-se a uma série de manifestações violentas que têm abalado o país nos últimos meses. Em junho, episódios semelhantes resultaram na morte de 19 pessoas e mais de 400 feridos, reacendendo críticas à brutalidade policial e à repressão de vozes dissidentes.
A tensão continua elevada no país, com manifestantes a prometerem manter-se nas ruas até que suas exigências por reformas políticas e justiça social sejam atendidas.

