Uma manifestação planejada pelo coletivo de mulheres “Unidas Somos Mais Fortes” foi interrompida pela Polícia Nacional de Angola no Largo das Heroínas, em Luanda. O grupo, composto por defensoras dos direitos das mulheres, pretendia protestar contra a violência de gênero e as contínuas violações dos direitos das mulheres no país.
Durante a operação policial, cinco mulheres foram detidas, entre elas três integrantes da organização: Leonela Massocolo, Marcela Mateus e Marisa Sofa. Junto delas, dois membros do Movimento Cívico Terceira Divisão também foram presos de forma considerada “arbitrária”. As manifestantes buscavam chamar a atenção das autoridades para o tratamento abusivo e desigual que as mulheres enfrentam em Angola.
Em um comunicado ao qual o portal O Decreto teve acesso, o coletivo expressou seu repúdio pela repressão, denunciando que a ação da polícia representava um “claro sinal de conivência das autoridades com as diversas formas de violência contra as mulheres”. O grupo afirmou que, ao invés de fortalecer mecanismos de proteção e garantir justiça para as vítimas, o Estado estava, na realidade, perpetuando as agressões contra as mulheres.
As manifestantes também destacaram que cumpriram todos os requisitos legais para a realização do protesto, o que torna a atitude da Polícia Nacional ainda mais incompreensível. Segundo o grupo, a ação policial violou o direito constitucional à liberdade de reunião e manifestação, previsto no artigo 47º da Constituição da República de Angola.
O protesto tinha como principal objetivo exigir políticas públicas efetivas para garantir a igualdade de gênero e o combate à violência contra as mulheres no país. As manifestantes também exigiram que o Governo angolano se comprometesse de forma mais eficaz com a implementação de medidas de proteção e justiça para as mulheres.
Ginga Patrícia, uma das coordenadoras da manifestação, relatou ao O Decreto que as detidas foram mantidas sob custódia por cerca de oito horas, sem que a polícia fornecesse qualquer explicação razoável para a prisão. Ela classificou a atitude da Polícia Nacional como “antidemocrática” e lamentou o fato de que os direitos dos cidadãos continuem sendo violados, especialmente em relação às mulheres.
Após a detenção, as manifestantes foram inicialmente levadas para a Esquadra da Maianga, sendo depois transferidas para a Esquadra do Catotes, no Rocha Pinto. Somente após oito horas de detenção, as cinco mulheres foram liberadas, mas o episódio continua sendo um reflexo de como, em muitos casos, as autoridades agem contra aqueles que lutam por direitos fundamentais.
O incidente ressalta a luta constante pela defesa dos direitos das mulheres em Angola, onde, apesar de avanços, ainda persiste a resistência em torno de temas como violência de gênero e igualdade de direitos. O coletivo de mulheres, assim como outros grupos sociais, continua a pressionar o governo para que ações concretas sejam tomadas em prol de uma sociedade mais justa e segura para todas as mulheres.