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O “terceiro mandato” e a aparatosa queda de um Falcão – Reginaldo Silva

Já não nos lembramos quando é que foi a última vez que as fontes do MPLA evitaram tanto comentar um desenvolvimento interno (mesmo em off) como foi desta vez, com o afastamento de Rui Falcão (RF) e de Vergílio Fontes de Pereira (VFP) na sequência das decisões tomadas na última reunião do seu Bureau Político.

Rui Falcão deixou de ser o porta-voz oficial do MPLA ao ser afastado do cargo que ocupava no Secretariado do BP onde respondia pelo pelouro da Informação e da Propaganda. Fontes Pereira que é igualmente do Bureau Político não é mais o Presidente do Grupo Parlamentar do MPLA.

Pelo meio, ainda circulou o rumor que um outro peso pesado do Secretariado do BP, o estratega João Martins (Jú), teria pedido a sua demissão, informação que não foi confirmada, mas também não foi desmentida, até onde vai o nosso conhecimento dos bastidores desta recente movimentação nas hostes dos “camaradas”.

No caso do RF e VFP e fazendo aqui uma analogia com os procedimentos vigentes na administração pública, afinal de contas o que é que lhes aconteceu? Os dois foram demitidos? Foram exonerados?

Na administração pública demissão implica punição, mas exoneração com algumas diferenças, não anda muito longe de o ser também. Nas duas situações concretas o que se sabe é que os dois não saíram a bem ou seja não foram eles que pediram para sair.

Na linguagem hermética do comunicado final do BP fala-se apenas em “ajustes pontuais na composição do Secretariado do BP” com a consequente substituição de RF e VFP. Salvo melhor opinião ou até provas em contrário, nenhum dos dois terá colocado o seu lugar à disposição para os devidos efeitos, julgados convenientes.

Se não foram eles que pediram para sair, então quem foi que decidiu ou propôs que eles deixassem os cargos que até então ocupavam na mais alta hierarquia do partido governante? Esta seria a questão que nos parece ser a mais relevante, se conseguíssemos a resposta oficial, para percebermos melhor o que aconteceu na passada sexta-feira, dia 9 de Fevereiro no Futungo 2.

Esta data pode vir, entretanto, a ficar na história do próprio partido como sendo mais um marco importante do novo MPLA que se está a formar e a afirmar-se após JES ter transferido a sua liderança para as mãos de JLo.

A outra questão que teria de ser engatilhada logo a seguir tinha de estar necessariamente orientada para a procura das razões que levaram o proponente a fazer a remodelação do Secretariado do BP que acabou por ser efectivada.

Não havendo para já informação disponível sobre o que realmente se passou com os dois “defenestrados”, no caso de Rui Falcão todas as análises apontam como causa mais próxima o conteúdo da entrevista que ele concedeu recentemente à LAC.

Sendo RF o porta-voz oficial do MPLA, as suas declarações não tinham como não ganhar a extraordinária importância que adquiriram. Pela primeira vez o “tabu do terceiro mandato” foi abordado e de forma frontal por quem até tinha a necessária legitimidade para o fazer.

Uma abordagem que para além de retirar completamente do cenário a hipótese de uma revisão constitucional que viabilizasse um terceiro mandato, ainda teve a “generosidade” de quase dar como certa a possibilidade de JLo continuar à frente do MPLA mesmo que não venha a ser ele o candidato às próximas eleições gerais de 2027.

A “generosidade” de RF foi ao ponto de admitir uma nova revisão dos estatutos do partido por forma a consagrar novamente a bicefalia que JES ainda tentou depois de deixar a Presidência da República, quando percebeu que o seu sucessor lhe ia fazer a cama mais tarde ou mais cedo, como acabou por acontecer.

A confirmar-se que estas declarações de RF lhe foram fatais, as coisas ainda ficam mais complicadas.

Para além do “tabu do terceiro mandato” se manter intacto, o cenário de uma divisão interna agora parece mais real, por descontando todas as especulações que têm vindo a alimentar o “diz que diz” das redes sociais, mas não só.

O tema tem estado a dominar igualmente os espaços de opinião da média convencional. Qual será o próximo capítulo desta crónica de uma crise anunciada, por mais disfarçada que ainda possa estar, é uma interrogação difícil de responder para já.

A crise passou a ser anunciada a partir do momento em que o próprio JLo criou o “tabu do terceiro mandato” por se recusar a responder frontalmente às questões que alguns jornalistas lhe colocaram sobre o seu futuro após 2027.

E a resposta neste caso só podia, aliás, só pode ser uma, se não houver outros planos na forja, que é aquilo que muita gente desconfia que haja.

PS-Este texto já estava escrito quando se soube da nomeação de Rui Falcão para o cargo de Ministro da Juventude e Desportos, desenvolvimento que não altera em nada o quadro aqui descrito.

Fonte: NJ