O Papa Leão XIV voltou a manifestar preocupação com a escalada da violência contra a população palestina na Cisjordânia ocupada e apelou à comunidade internacional para intensificar os esforços destinados a alcançar uma solução de dois Estados.o —
Após a oração do Angelus, o pontífice renovou o apelo para que cessem os episódios de violência contra civis palestinos e defendeu uma resposta internacional que permita avançar para uma solução política capaz de garantir uma paz considerada justa e duradoura.
A declaração ocorre num momento de crescente tensão na Cisjordânia, onde organizações internacionais e grupos de direitos humanos têm denunciado um aumento dos ataques atribuídos a colonos israelenses contra comunidades palestinas.
Um dos casos recentes ocorre na localidade de Qusra, nas proximidades de Nablus, onde famílias palestinas permanecem sob forte pressão devido à presença e às acções de colonos israelenses na área.
Segundo relatos citados por meios de comunicação internacionais, moradores de duas famílias terão permanecido confinados nas suas casas durante vários dias, enfrentando dificuldades no acesso a água e eletricidade.
A situação agravou-se depois de uma equipa municipal que se deslocava ao local para reparar a rede elétrica ter sido, segundo a agência palestina Wafa, confrontada por um grupo de colonos.
Apesar da presença das Forças de Defesa de Israel (IDF) na região e de uma retirada parcial de alguns colonos, a situação continua instável.
Entre as famílias afetadas encontra-se, segundo os relatos divulgados, a de um cidadão palestino-americano. Familiares afirmam que o fornecimento de água e eletricidade foi interrompido e que existe receio de deixar a residência.
A situação provocou também reacções diplomáticas.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Espanha apelou a Israel para respeitar as suas obrigações internacionais e para adoptar medidas destinadas a impedir actos de violência e intimidação contra a população palestina.
Madrid reiterou igualmente o seu apoio à solução de dois Estados, considerando-a o caminho para que israelenses e palestinos possam viver em paz e segurança.
O vigário-geral do Patriarcado Latino de Jerusalém, Dom William Shomali, afirmou que os relatos de violência contra comunidades palestinas têm sido frequentes.
Segundo o religioso, a retirada parcial de alguns colonos não elimina a ameaça, uma vez que outros permanecem nas proximidades e podem voltar a qualquer momento.
Para Shomali, a comunidade internacional deve reforçar os mecanismos destinados a garantir os direitos da população palestina e fortalecer o papel das Nações Unidas e do Conselho de Segurança na procura de uma solução para o conflito.
Os números divulgados pelas Nações Unidas indicam que a violência e outros factores relacionados com a situação na Cisjordânia continuam a provocar deslocamentos da população palestina.
Segundo dados citados pela fonte, cerca de 2.200 palestinos foram deslocados na Cisjordânia até ao final de junho de 2026, em consequência da violência atribuída a colonos durante o ano.
Organizações israelenses de direitos humanos também têm denunciado dificuldades na responsabilização de autores de crimes contra palestinos. Dados atribuídos à organização Yesh Din indicam que uma elevada percentagem das investigações sobre alegados crimes cometidos por colonos termina sem condenação.
Perante este cenário, o apelo de Leão XIV coloca novamente no centro da agenda internacional a necessidade de proteger os civis, respeitar o direito internacional e retomar esforços diplomáticos para uma solução política duradoura para israelenses e palestinos.

