Os eleitores da Hungria foram às urnas este domingo numa eleição considerada uma das mais importantes das últimas décadas, marcada pelo confronto direto entre o primeiro-ministro Viktor Orbán e o líder da oposição Péter Magyar.
A votação decorre sob forte atenção internacional, com governos europeus, os Estados Unidos e a Rússia a acompanharem de perto o processo eleitoral e as suas possíveis repercussões geopolíticas.
As assembleias de voto abriram às 6h da manhã em Budapeste e em todo o país, numa votação que muitos analistas interpretam como um referendo aos 16 anos de liderança contínua de Orbán. O primeiro-ministro governa com maioria parlamentar desde 2010 e enfrenta agora o maior desafio político da sua carreira.
Segundo o analista Szabolcs Dull, trata-se da primeira eleição em que Orbán enfrenta um único adversário com reais hipóteses de vitória, depois de anos em que a oposição esteve fragmentada.
Estudos recentes apontam para uma possível viragem histórica. Uma sondagem da empresa Medián sugeriu a hipótese de a oposição alcançar uma maioria parlamentar de dois terços. Apesar disso, fontes do partido governamental Fidesz afirmam manter confiança, argumentando que os seus eleitores podem estar sub-representados nos inquéritos.
Magyar, antigo aliado de Orbán, rompeu com o governo em 2024 após um escândalo político e fundou o partido Tisza, que rapidamente ganhou apoio popular, incluindo 30% dos votos nas eleições europeias desse ano. A sua campanha apostou sobretudo na mobilização de eleitores em pequenas cidades e zonas rurais.
A votação é acompanhada de perto em Bruxelas, devido às frequentes tensões entre Budapeste e a União Europeia. O governo húngaro tem usado repetidamente o poder de veto em decisões europeias, incluindo o bloqueio recente de um pacote de empréstimos de 90 mil milhões de euros destinado à Ucrânia.
Orbán mantém também relações próximas com o presidente russo Vladimir Putin, reforçando a perceção de que a Hungria se tornou um palco central de confronto entre correntes nacionalistas e liberais democráticas.
Analistas consideram que uma eventual derrota de Orbán poderá ter impacto simbólico global, sendo vista como um possível revés para movimentos políticos de orientação semelhante noutros países.

