Uma mulher foi acusada pelo Ministério Público (MP) de integrar um esquema organizado de auxílio à imigração ilegal, através do qual terá facilitado a entrada de várias pessoas em Portugal vindas de Angola. Segundo a acusação, a arguida terá participado na deslocação e legalização irregular de pelo menos 15 cidadãos angolanos, entre os quais menores.
De acordo com as autoridades, as viagens ocorreram entre maio de 2024 e março de 2025 e eram organizadas com recurso a documentos falsificados ou pertencentes a terceiros. A rede criminosa tratava de toda a logística da deslocação até ao espaço Schengen, garantindo também o acompanhamento dos passageiros até à chegada a território português.
Os investigadores referem que o grupo utilizava diferentes estratégias para contornar os controlos fronteiriços. Em alguns casos eram usados Títulos de Viagem Única preparados previamente pela organização. Noutras situações, recorria-se à usurpação de identidade de cidadãos luso-angolanos para obter ou alterar Títulos de Viagem Provisórios emitidos pelos serviços consulares portugueses em Luanda. Há ainda indícios de que alguns desses documentos eram totalmente falsificados pela própria rede.
Pelas viagens e pela preparação dos documentos, os envolvidos cobrariam valores entre seis mil e oito mil euros por pessoa, montante que não incluía as despesas do transporte, suportadas pelos próprios clientes.
O esquema acabou por ser identificado numa investigação conduzida pelo Ministério Público com o apoio da Unidade Nacional de Contra-Terrorismo da Polícia Judiciária. A suspeita foi detida e, a 11 de março de 2025, ficou em prisão preventiva, medida que se mantém devido à complexidade do processo.
A arguida enfrenta agora várias acusações, entre elas associação de auxílio à imigração ilegal, 15 crimes de auxílio à imigração ilegal, 13 crimes de falsificação ou contrafação de documentos e quatro crimes relacionados com a utilização de documentos de identificação ou viagem pertencentes a terceiros.

