Uma denúncia anónima enviada à Procuradoria-Geral da República (PGR) indica a possível continuação de práticas ilegais ligadas à exportação de madeira na província de Cabo Delgado. O documento refere que centenas de contentores com madeira em toros, incluindo espécies cuja exportação é proibida, terão sido enviados a partir do Porto de Pemba com destino à China e ao Vietname.
De acordo com a denúncia, cerca de 400 contentores terão sido exportados de forma irregular em novembro de 2025. O documento foi submetido à PGR no dia 2 de março, solicitando a abertura de investigações, responsabilização dos envolvidos e eventual desmantelamento de uma suposta rede dedicada à exploração e exportação ilegal de madeira.
O caso já começou a circular em órgãos de comunicação social e tem sido amplamente partilhado nas redes sociais. Até ao momento, não houve pronunciamento oficial do Governo sobre as alegações.
No texto remetido às autoridades, são mencionados “fortes indícios de ilícitos criminais” relacionados com a exportação de cerca de 450 contentores de madeira proibida a partir do Porto de Pemba, na província de Cabo Delgado. Segundo o documento, o prejuízo potencial para o Estado poderá atingir aproximadamente 200 milhões de meticais.
A denúncia afirma que a suspeita de irregularidades surgiu após a análise de documentos ligados ao processo de exportação dos 450 contentores. De acordo com essa análise, apenas 44 teriam sido expedidos dentro dos procedimentos legais.
O relatório aponta ainda para possíveis falhas graves na documentação, levantando suspeitas de práticas como exportações sem declaração aduaneira válida, ausência de pagamento integral de impostos, utilização indevida ou inexistência de autorizações de saída e eventuais fragilidades ou manipulação no controlo aduaneiro.
Como suporte às alegações, o denunciante apresentou um conjunto de documentos com informações detalhadas sobre cada um dos contentores, incluindo a identificação das embarcações que transportaram a carga e os respetivos destinos finais.
Diante dos possíveis indícios de crimes contra o Estado e contra o ambiente, o documento solicita à Procuradoria-Geral da República a abertura de investigações criminais, financeiras e administrativas, bem como a realização de uma auditoria completa aos processos de autorização de saída da madeira.

