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Desvios e falhas na prestação de contas da RNA sob análise do IGAPE

by Marcelino Gimbi

Rádio Nacional de Angola (RNA) está no centro de um conjunto de denúncias que apontam para alegadas irregularidades na gestão financeira e fragilidades nos relatórios de prestação de contas. Documentos, testemunhos internos e declarações oficiais indicam a existência de problemas recorrentes na administração da empresa pública, levantando preocupações quanto à eficácia dos mecanismos de controlo do Estado.

Alertas sobre inconsistências nos relatórios financeiros terão motivado a deslocação de uma equipa técnica do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE) às instalações da RNA, a 1 de dezembro de 2022. Durante a visita, o presidente do Conselho de Administração do IGAPE, Patrício Vilar, reconheceu a existência de dificuldades frequentes nos relatórios remetidos por várias empresas públicas, incluindo a rádio estatal.

Segundo explicou, as auditorias externas têm identificado falhas comuns, com destaque para problemas no registo e controlo do património. O responsável sublinhou que o objectivo da visita era avaliar a situação e reduzir o número de reservas levantadas pelos auditores nos pareceres anuais sobre as contas da empresa.

Na ocasião, o Conselho de Administração da RNA apresentou informações sobre o funcionamento da instituição, os constrangimentos enfrentados e os esforços para regularizar o património e melhorar os procedimentos de prestação de contas. Também foram discutidas alternativas para ultrapassar as dificuldades estruturais, conforme noticiado pelo Ministério das Finanças.

Meses antes, em junho de 2022, ainda sob a tutela do então ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Manuel Homem, terá sido orientada a redução de verbas destinadas à componente técnica da cobertura eleitoral de setembro do mesmo ano. O valor inicialmente previsto, de 400 milhões de kwanzas, teria sido ajustado para cerca de 250 milhões.

 

No final de dezembro de 2022, já após a recondução do Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço ao cargo, uma reestruturação governamental levou Mário Augusto da Silva Oliveira a assumir a liderança do ministério. Nesse contexto, foi submetido ao Gabinete do Presidente um pedido de financiamento para reabilitação e modernização das infraestruturas da RNA.

O documento solicitava aproximadamente 900 milhões de kwanzas para intervenções na rede elétrica dos estúdios centrais, atualização tecnológica, renovação da frota de reportagem, manutenção de torres e emissores, bem como substituição de baterias e sistemas de energia. O argumento central indicava que, apesar de as verbas constarem no orçamento ao longo de uma década, os montantes para investimento não teriam sido disponibilizados, colocando em risco o funcionamento da emissora.

O pedido foi autorizado poucos dias depois, por despacho assinado pelo ministro e director do Gabinete do Presidente da República, Edeltrudes Costa. Desde então, surgiram novas alegações que apontam para a continuidade de práticas consideradas lesivas à instituição.

Tentativas recentes de contacto com Mário Oliveira não tiveram resposta. Paralelamente, foram remetidas comunicações aos grupos parlamentares do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), bem como ao Presidente da República, solicitando a abertura de uma sindicância à RNA e ao ministério de tutela.

Os autores das denúncias afirmam que continuarão a procurar esclarecimentos junto dos responsáveis mencionados, invocando o princípio do contraditório antes da divulgação de novos desenvolvimentos sobre o caso.

Fonte: O Decreto

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