Luanda – O analista e comentador político Raúl Diniz defendeu que o MPLA deve pôr fim ao que classifica como “terrorismo de Estado” e passar a respeitar a vontade popular, sublinhando que os angolanos exigem mudanças profundas na gestão da coisa pública e no modelo de governação do país.
Segundo Raúl Diniz, a actual situação da economia doméstica revela sinais preocupantes que comprometem o desenvolvimento económico, fragilizam o Estado de Direito e colocam em risco a consolidação democrática. Na sua análise, o contexto vivido pelos cidadãos é resultado de décadas de más opções políticas e de governação concentrada num núcleo restrito de interesses ligados ao poder.
O comentador considera que, após cerca de cinquenta anos no poder, o MPLA conduziu Angola a uma situação de bloqueio estrutural, afirmando que o partido se transformou num espaço de interesses económicos que prejudicam a diversificação da economia e o bem-estar colectivo. Para Raúl Diniz, os problemas económicos do país não podem ser atribuídos a figuras isoladas da governação, mas sim a um modelo de gestão do Estado que se revelou falhado.
Na sua perspectiva, Angola carece de políticas de Estado sólidas e vinculativas, capazes de garantir continuidade, previsibilidade e resultados concretos, independentemente de quem governa. O analista aponta ainda falhas graves no modelo económico em vigor, que, segundo afirma, não gera riqueza suficiente nem receitas fiscais adequadas para financiar políticas sociais estruturantes, como habitação, educação e saúde.
Raúl Diniz defende a necessidade urgente de reformas profundas nas políticas de crédito, com a criação de mecanismos acessíveis para revitalizar a agricultura familiar e impulsionar o micro e pequeno comércio, sectores que, segundo diz, se encontram abandonados. Acrescenta que a economia só poderá crescer se o empresariado nacional tiver acesso a financiamento com juros compatíveis com a realidade do país.
O comentador alerta também que o investimento estrangeiro dificilmente prosperará num contexto em que o tecido empresarial interno é frágil e onde não existe segurança jurídica adequada. Nesse sentido, sublinha a importância de reformas legais que protejam tanto os investidores como os trabalhadores, criando um ambiente económico equilibrado e estável.
Entre as propostas apresentadas, Raúl Diniz defende a redução do papel do Estado como principal agente económico, cabendo ao governo criar condições para o diálogo social, modernizar a administração pública e implementar reformas tributárias e fiscais que promovam uma distribuição mais justa da riqueza.
No plano político, considera essencial a despartidarização do aparelho do Estado e a adopção de um modelo moderno e inclusivo de governação. Defende ainda que o executivo deve assumir responsabilidades pelo declínio estrutural do país e abrir um diálogo sério com a sociedade, reconhecendo os efeitos das políticas de exclusão social.
Raúl Diniz apela à realização urgente das eleições autárquicas e alerta que Angola não suportará mais um ciclo prolongado de governação autoritária. Para o analista, o país necessita de novos paradigmas políticos e de uma governação que sirva todos os cidadãos, reforçando que o Estado não pertence a um partido, mas sim a todos os angolanos.
Concluindo, afirmou que governar deve significar um serviço público temporário e responsável, orientado exclusivamente para o interesse colectivo.

