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Congresso do MPLA deverá reforçar controlo interno e afastar expectativas de mudança profunda

by Marcelino Gimbi

Luanda – O congresso do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), previsto para breve, deverá assumir-se mais como um exercício de consolidação interna e de preservação do poder do que como um momento de transformação política ou de redefinição do modelo de governação, segundo uma análise publicada pelo politólogo Luís Silva Cardoso.

De acordo com o autor, o partido no poder chega a este encontro num contexto de fragilidade política mais profunda do que a imagem de estabilidade que procura projetar. Apesar da vitória formal nas eleições de 2022, persiste uma erosão eleitoral contínua, sobretudo nos centros urbanos e entre os jovens, onde se consolidou a perceção de que o MPLA governa mais pelo controlo das instituições do que por uma adesão social efetiva.

Nesse sentido, o congresso deverá privilegiar a demonstração de unidade e disciplina interna, em detrimento de um debate estratégico aberto. Para o analista, a coesão é vista pelo partido como essencial à manutenção do poder, uma vez que divisões internas têm sido, historicamente, um dos poucos fatores capazes de fragilizar o seu domínio político.

Qualquer sinal de renovação, sustenta o texto, será cuidadosamente doseado para transmitir uma imagem de modernização sem alterar os verdadeiros centros de decisão. O núcleo dirigente deverá manter-se inalterado, assim como a relação estrutural entre o partido, o Estado, o sistema judicial, o aparelho eleitoral e as forças de segurança, considerada pelo autor como a base do atual modelo de governação.

As mudanças mais visíveis deverão ocorrer ao nível intermédio da hierarquia partidária, com a ascensão de quadros mais jovens e de perfil tecnocrático, menos associados ao passado de conflito armado e mais preparados para comunicar com uma sociedade urbana e digital. No entanto, esta renovação é descrita como limitada e controlada, não correspondendo a uma verdadeira transição geracional nem a uma mudança de lógica política.

A análise aponta ainda para a consolidação de uma estratégia de gestão do pluralismo político. Em vez de tentar neutralizar toda a oposição, o MPLA estaria a optar por administrar o espaço oposicionista, tolerando seletivamente o surgimento de novos partidos, mantendo a UNITA como principal força de oposição formal, mas politicamente isolada, e beneficiando da fragmentação do eleitorado urbano. Esta abordagem, segundo o autor, não representa uma abertura democrática, mas sim uma forma de reduzir riscos políticos.

A principal mensagem que deverá emergir do congresso, refere o texto, será dirigida sobretudo às elites internas, aos parceiros internacionais e aos centros de poder económico e militar, procurando transmitir a ideia de continuidade, estabilidade e ausência de sobressaltos. Num contexto regional e global marcado por incertezas, essa imagem de controlo é vista como um trunfo junto de interlocutores externos.

Contudo, o autor alerta que estabilidade institucional não equivale a legitimidade social. Problemas estruturais como o desemprego juvenil, o aumento do custo de vida, a exclusão urbana e a crescente desconfiança no processo eleitoral não serão resolvidos pelo congresso e continuam a alimentar tensões fora das estruturas partidárias.

Na conclusão, a análise defende que o congresso do MPLA deverá servir mais para ganhar tempo e ajustar o funcionamento interno do partido do que para promover mudanças de fundo. A unidade partidária é considerada praticamente garantida; a questão em aberto, segundo o autor, é saber até que ponto a sociedade angolana continuará a aceitar essa unidade como sinónimo de legitimidade política.

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