Após os encontros realizados em Nampula e Chimoio, a AGRA, em parceria com a “AWAB Moçambicana, promoveu no dia 28 de novembro, em Maputo, o Workshop Regional de Co-criação VALUE4HER” , um evento voltado para consolidar contribuições de mulheres empreendedoras e fortalecer a inclusão feminina no agronegócio moçambicano.
A iniciativa reuniu agroempreendedoras, jovens agripreneurs, representantes do governo, sector privado e parceiros de desenvolvimento, com o objetivo de discutir soluções práticas para reforçar a liderança feminina, o acesso a mercados, a inclusão digital e a visibilidade institucional no sector agrícola.
Durante o encontro, foram apresentados os primeiros resultados da mobilização nacional, partilhados testemunhos de “campeãs” e embaixadoras regionais e desenvolvidas dinâmicas de co-criação para alimentar o Roteiro Nacional de Implementação VALUE4HER.
AWAB: “Criar um espaço seguro e orientado para soluções”
A representante da AWAB Moçambicana, Tatiana Marta, destacou que a expansão da plataforma VALUE4HER para Moçambique representa “um marco estratégico e necessário para colocar as mulheres, especialmente as jovens, no centro do desenvolvimento do agronegócio”.
Segundo explicou, nos últimos meses, a AWAB Moçambicana, em colaboração com a AGRA, realizou um processo de mobilização e levantamento de dados sobre a realidade das mulheres agroempreendedoras no país.
> “Apesar dos avanços, persistem barreiras que afectam o crescimento e a produtividade das nossas empreendedoras, desde limitações no acesso ao financiamento e à informação, até desafios estruturais nas cadeias de valor agrícola. Este workshop nasce da necessidade de criar um espaço seguro, prático e orientado para soluções, onde cada mulher contribua com a sua experiência e visão. Queremos construir modelos sustentáveis capazes de gerar impacto real nas comunidades”, afirmou Tatiana Marta.
Sector privado defende ligações sólidas entre mercado e produção
O representante do sector privado, “Lineu Candiero”, da FDEM, ressaltou o papel determinante da plataforma VALUE4HER para o fortalecimento da participação feminina no agronegócio e para a dinamização de negócios liderados por jovens.
> “Hoje estamos aqui para co-criar. Co-criar significa ouvir, aprender, partilhar evidências e construir soluções práticas e alinhadas ao contexto moçambicano. Significa transformar desafios em oportunidades, unindo capacidades públicas, privadas e sociais para gerar impacto real”, disse.
Candiero apontou três prioridades para o sucesso da implementação do programa:
1. Ligação efectiva entre mercado e produção, aproximando empreendedoras de compradores, financiadores, certificadores e soluções tecnológicas.
2. Sustentabilidade e escalabilidade, com modelos operacionais realistas, metas claras e pilotos regionais para futura expansão.
3. Inclusão económica, considerando mulheres e jovens como motores essenciais da transformação agrícola no país.
AGRA reforça compromisso com sistemas agroalimentares inclusivos
A oficial de Programas de Juventude, Género e Desenvolvimento de Empreendimentos da AGRA, *Anabela Manhiça*, ressaltou que o trabalho da organização vai além da produção agrícola.
> “Falamos de sistemas agroalimentares completos, desde a investigação científica, desenvolvimento de sementes melhoradas, tecnologia e produção, até a comercialização. Trabalhamos para garantir comida na mesa, mas também para que os agricultores façam negócios de verdade”, afirmou.
Manhiça recordou que a AGRA actua em Moçambique desde 2007, tendo o Governo como principal parceiro, e sublinhou que a organização opera com forte intencionalidade na promoção de inclusividade.
> “Quando falamos de inclusão, referimo-nos a mulheres, jovens, pessoas com deficiência, mães com crianças pequenas e deslocados devido a conflitos ou eventos climáticos, incluindo os de Cabo Delgado. Todos fazem parte do nosso público prioritário”, acrescentou.

