“Os acontecimentos das últimas semanas mostram a urgência de refletirmos sobre o futuro da nossa democracia e de reforçarmos os investimentos em segurança. Face ao que vivemos, é seguro afirmar que a nossa comunidade está em estado de emergência”, declarou.
A preocupação da CEDEAO intensificou-se após uma tentativa de golpe no Benim, no último domingo, quando um grupo de militares apareceu na televisão estatal para anunciar a deposição do governo. A ação foi rapidamente neutralizada, mas somou-se a uma lista crescente de episódios semelhantes em África Ocidental.
No mês passado, um golpe militar na Guiné-Bissau afastou o então Presidente Umaro Sissoco Embaló, numa crise pós-eleitoral marcada por reivindicações de vitória de ambos os candidatos.
Para analistas, a nova postura da CEDEAO procura recuperar influência após a controvérsia em torno da crise no Níger, em 2023, quando o bloco ameaçou intervir militarmente mas acabou por não agir devido à ausência de uma força de prontidão.
Segundo Ulf Laessing, responsável pelo programa do Sahel da Fundação Konrad Adenauer, a organização tenta agora demonstrar firmeza: “A CEDEAO receia que os golpes se tornem o novo padrão dominante na região. Este anúncio é uma forma de mostrar que está empenhada em reagir.”
Apesar da declaração, ainda não está claro se o bloco irá avançar com medidas concretas ou estratégias adicionais de resposta. No passado, a CEDEAO recorreu a ações extraordinárias em contextos de conflito, como nas guerras civis da Libéria e da Serra Leoa, embora sem recorrer à figura formal de estado de emergência.

