A deputada do MPLA, Lourdes Caposso Fernandes, considera que o maior desafio de Angola é garantir condições que permitam aos jovens permanecer e prosperar no país. Em declarações à DW, a parlamentar sublinhou a importância da valorização do capital humano, da atração de investimento privado e da aposta na transição energética como eixos estratégicos para o desenvolvimento nacional.
Recentemente, Lourdes Caposso Fernandes participou na Alemanha na iniciativa “Mulheres Líderes da Transição Energética”, que reuniu representantes de 15 países para debater igualdade de género e sustentabilidade ambiental. Na ocasião, destacou que a dependência do petróleo continua a ser um obstáculo para países como Angola, mas frisou que já estão em curso projetos que combinam exploração de recursos fósseis com investimentos em energias limpas.
Entre os exemplos citados, apontou o projeto em Soyo, província do Zaire, que aposta no aproveitamento do gás associado, e mencionou a parceria estratégica com o Governo alemão para o desenvolvimento de iniciativas de hidrogénio verde. “Hoje vemos em Angola avanços significativos em energia solar, hídrica e eólica. Estamos a aprender, mas já conseguimos ter voz na arena política internacional”, afirmou.
A deputada também defendeu o investimento privado como motor da empregabilidade sustentável, reforçando que as empresas têm responsabilidade em apostar na juventude angolana. “Isso reduz custos com expatriados e fortalece a economia nacional”, afirmou.
Autora de um livro sobre o setor petrolífero publicado em 2010, após cinco anos de investigação, Caposso Fernandes tem procurado promover a competitividade e a criação de riqueza de forma alinhada com normas internacionais. “Precisamos de jovens proativos, éticos e preparados para o mercado global”, destacou.
Outro ponto enfatizado foi a necessidade de travar a emigração jovem, que tem crescido nos últimos anos. Para a deputada, o Estado deve oferecer políticas públicas eficazes, formação de qualidade e oportunidades concretas de emprego. “A juventude quer mais do que sonhos, quer futuro dentro de Angola”, disse.
Com experiência académica e profissional em Portugal, Reino Unido e Estados Unidos, Caposso Fernandes reconhece o fascínio que países mais organizados exercem sobre os jovens angolanos. No entanto, defende que a experiência internacional deve servir para trazer conhecimento e contribuir para o desenvolvimento local. “Temos de ser embaixadores do nosso país, onde quer que estejamos”, concluiu.

