Luanda – Pedro Fernandes, conhecido por “Mavinga”, líder associativista dos taxistas em Angola, foi libertado esta quarta-feira (20) depois de quase três semanas de detenção, considerada ilegal pela defesa.
Segundo o advogado Celestino Nobre, a libertação ocorreu devido à ausência de mandado de captura, ao tempo excessivo de prisão preventiva e à falta de provas que ligassem o dirigente aos protestos contra o aumento do preço dos combustíveis, ocorridos entre 28 e 30 de julho.
Apesar da saída em liberdade, o advogado afirmou que Mavinga se encontra **debilitado, traumatizado e receoso de regressar à exposição pública**. Há suspeitas de que o líder possa estar com paludismo, apresentando sinais de mal-estar desde a detenção.
> “Foi detido sem mandado, excedeu o tempo legal e nunca foi apresentado ao juiz de garantias no prazo devido. Além disso, não existem indícios que o impliquem nos factos em causa”, explicou Celestino Nobre.
O advogado garantiu que está a ser preparado um pedido de *habeas corpus* para os restantes líderes associativistas e cooperativistas de táxis que ainda permanecem presos.
Apesar de não classificar o processo como político, Nobre alertou que a manutenção das detenções sem provas poderá demonstrar motivações para além das jurídicas.
A greve dos taxistas, no final de julho, resultou em confrontos que deixaram **30 mortos, mais de 200 feridos e mais de 1.500 detenções**, segundo dados oficiais.

