Lisboa – A Marinha Portuguesa tem reforçado a vigilância sobre a passagem de embarcações russas nas suas águas, devido a receios de possíveis ameaças a infraestruturas submarinas estratégicas. Desde 2021, mais de 140 navios da Federação Russa foram monitorizados, incluindo o Yantar, uma embarcação associada a atividades de espionagem subaquática.
A operação mais recente ocorreu em novembro de 2024, quando o Centro de Operações Marítimas recebeu um alerta de aliados da NATO sobre a aproximação do Yantar à Zona Económica Exclusiva (ZEE) portuguesa. O navio, oficialmente registado como científico, é amplamente suspeito de operar sob ordens da GUGI, um departamento secreto do Ministério da Defesa da Rússia especializado em missões submersas.
Em resposta, o Navio Patrulha Oceânico *Sines* foi destacado para seguir de perto a trajetória do Yantar, numa ação de dissuasão contra possíveis atividades clandestinas. O objetivo foi impedir que a embarcação realizasse operações de reconhecimento ou manipulação de cabos submarinos sem autorização
A preocupação com a segurança dessas infraestruturas tem aumentado, especialmente após a invasão da Ucrânia. O Relatório Anual de Segurança Interna de 2024 destaca as ameaças de origem estatal como uma prioridade, sublinhando a importância de proteger os cabos de comunicações que cruzam o Atlântico e conectam Portugal ao resto do mundo.
Embora a maioria dos danos a cabos submarinos seja atribuída a causas acidentais, como atividades de pesca, vários episódios recentes levantaram suspeitas de sabotagem deliberada. Um dos casos mais graves ocorreu em outubro de 2023, quando o gasoduto Balticconnector e cabos de telecomunicações entre a Estónia, Finlândia e Suécia foram danificados após a passagem de navios da China e da Rússia.
Portugal, enquanto membro da NATO e da União Europeia, tem vindo a intensificar o controlo marítimo como parte de um esforço coordenado para proteger infraestruturas críticas de possíveis ameaças híbridas.

