Huambo — A atuação do ex-secretário do Governo Provincial do Huambo e ex-administrador municipal do Longonjo, João Sérgio Raul, volta a gerar indignação pública. Após ter cumprido pena no estabelecimento prisional do Cambiote, o ex-governante tem sido alvo de críticas por reaparecer em atividades que estão a levantar dúvidas sobre a eficácia da justiça e o combate à corrupção na província.
By: Poeta Ukwanana/Estudante de Ciências da Comunicação
Em um texto assinado pelo estudante e ativista cívico *Poeta Ukwanana*, amplamente partilhado nas redes sociais, são feitas duras críticas ao alegado retorno de João Sérgio Raul à esfera pública com comportamentos considerados intimidatórios e moralmente condenáveis. Segundo o autor, o ex-recluso foi recentemente visto na zona da Etunda, onde terá tentado tomar posse de um terreno comunitário, alegando ser o proprietário, gerando protestos da população local.
A publicação questiona o Ministério Público do Huambo sobre o estado real do processo judicial de João Sérgio Raul, levantando dúvidas se a pena foi cumprida na íntegra, se os valores desviados foram devolvidos e o destino dos bens apreendidos. O texto sugere que ainda há muitas respostas por dar à sociedade, que exige maior transparência e responsabilização.
Além de João Sérgio Raul, são citados outros nomes supostamente envolvidos no escândalo relacionado ao processo denominado “Restos a Pagar”, que resultou em prejuízos significativos aos cofres do Estado. Entre eles, Claudino Sicato Fernandes Isaías, ex-chefe da Execução Orçamental e Contabilidade, e Constantino de Jesus César, ex-responsável pelo Departamento de Administração, Património, Orçamento e Transportes. Ambos são acusados, informalmente, de gestão danosa e envolvimento em esquemas de desvio de fundos públicos.
O apelo lançado por Ukwanana é claro: justiça firme, responsabilidade institucional e fim da impunidade. “O povo do Huambo não é palhaço”, escreve, criticando o que considera ser a “inércia escandalosa” das instituições judiciais locais.
A Procuradoria-Geral da República no Huambo ainda não se pronunciou oficialmente sobre as novas alegações. No entanto, o caso reacende o debate sobre o combate à corrupção e o papel das instituições de justiça na consolidação do Estado de Direito em Angola.
Para muitos cidadãos, como o autor do manifesto, a luta contra a impunidade começa com a denúncia, mas exige ação concreta por parte dos órgãos competentes. Como conclui o texto: “João Sérgio Raul pode ter saído da cadeia. Mas a pergunta que grita é: a cadeia já saiu dele?”.

