LUANDA (25/06/2026) – Uma onda de calor sem precedentes está assolando o continente europeu, afetando diretamente 24 países com temperaturas máximas que ultrapassam os 35 °C. O fenômeno acendeu o sinal de alerta máximo em nações como o Reino Unido, Alemanha e Suíça, que já emitiram alertas vermelhos para suas populações. De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o cenário atual traz riscos severos e acentuados de estresse térmico, tempestades fortes com granizo e incêndios florestais.
A gravidade da situação, no entanto, não se restringe aos picos de temperatura atingidos durante o dia. Especialistas alertam que o verdadeiro perigo para a saúde humana mora no avanço das chamadas “noites tropicais” — períodos noturnos em que os termômetros não baixam dos 20 °C —, um fenômeno cada vez mais frequente, sobretudo nas áreas urbanas.
O perigo invisível das noites quentes
Segundo Armel Castellan, conselheiro técnico de Serviços para Calor Extremo da OMM-OMS, as temperaturas mínimas registradas na madrugada podem ser ainda mais determinantes para o impacto na saúde do que as máximas diurnas. Em entrevista à ONU News, o especialista explicou o mecanismo biológico de desgaste provocado pelo calor contínuo: “À noite, o corpo deveria se recuperar, pois durante o sono a temperatura cai, o sistema cardiovascular descansa e o estresse acumulado de um dia quente começa a diminuir. Quando as noites permanecem quentes, essa recuperação não acontece. O corpo continua sob pressão 24 horas por dia.”
Castellan ilustrou o risco comparando dois cenários: um dia que atinge 38 °C mas refresca para 18 °C à noite é biologicamente menos agressivo do que um dia que chega a 36 °C mas mantém uma mínima acima de 25 °C na madrugada. O segundo cenário, que se espalha pela Europa, oferece riscos substancialmente maiores à vida e ao sistema de saúde.
Recordes históricos na França e na Espanha
A Península Ibérica e o território francês centralizam o epicentro da crise climática nesta semana. A França registrou o dia mais quente de toda a sua história nesta quarta-feira, quebrando o recorde nacional que havia sido estabelecido apenas 24 horas antes, alcançando uma média nacional inédita de 30 °C. Cidades como Pulluau, no oeste francês, viram os termômetros cravar impressionantes 43,8 °C. Diante do colapso térmico, o governo francês colocou 58 departamentos sob alerta vermelho.
Paralelamente, a Agência Estatal de Meteorologia da Espanha (Aemet) confirmou que os dias 23 e 24 de junho foram os mais quentes já monitorados no país, com diversas localidades enfrentando marcas térmicas persistentemente acima dos 40 °C.
As autoridades de saúde locais reforçam as recomendações de hidratação constante, evitar exposição solar nos horários de pico e atenção redobrada com idosos, crianças e doentes crônicos enquanto a massa de ar quente continuar sobre o continente.

