As exportações portuguesas de têxteis e vestuário registaram uma ligeira quebra de 0,8% em 2025 face ao ano anterior, fixando-se em 5.499 milhões de euros, segundo dados provisórios. Apesar da descida em valor, o setor manteve níveis de volume praticamente estáveis, evidenciando resiliência num contexto de procura enfraquecida.
Lusa
Em declarações à Lusa, a diretora-geral da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP), Ana Dinis, sublinhou que, embora o valor exportado tenha sofrido pressão, os volumes cresceram 0,3%, refletindo ajustamentos de preços e alterações no mix de produto.
Por segmentos, o vestuário registou uma redução de 0,3%, totalizando 3.178,2 milhões de euros. As matérias têxteis apresentaram uma queda mais acentuada, de 1,9%, para 1.462 milhões de euros. Já os têxteis-lar e outros artigos confecionados diminuíram 0,7%, para 858,9 milhões de euros.
Espanha, França e Alemanha continuaram a liderar como principais destinos das exportações nacionais. O mercado espanhol manteve-se praticamente inalterado (+0,1%), alcançando 1.318 milhões de euros. Em contrapartida, França e Alemanha registaram recuos de 1,4% e 2,1%, para 834 e 461 milhões de euros, respetivamente.
Também os Estados Unidos e o Reino Unido, quarto e quinto maiores mercados, apresentaram descidas idênticas de 3,3%, situando-se em 420 e 337 milhões de euros. A maior quebra verificou-se nas vendas para Itália, que caíram 13%, menos 47 milhões de euros, fixando-se em 312 milhões.
Segundo Ana Dinis, as dificuldades do setor estão fortemente ligadas à evolução do consumo na Europa, principal mercado da indústria. A responsável aponta mudanças nos hábitos dos consumidores e a crescente presença de plataformas de comércio eletrónico que comercializam produtos de baixo preço e qualidade reduzida, muitas vezes com fraca responsabilidade social e ambiental.
Para a dirigente da ATP, este modelo de consumo coloca desafios à sustentabilidade e à competitividade da indústria europeia, que tem investido em qualidade, conformidade e práticas ambientais responsáveis. Acrescenta ainda que os avanços ambientais alcançados pelo setor podem ser parcialmente anulados por padrões de consumo assentes na rápida rotação de produtos de baixo valor.
Quanto às medidas de apoio, a associação refere que não foram implementadas respostas específicas direcionadas ao setor, existindo apenas instrumentos de caráter transversal, considerados pouco adequados para responder a quebras conjunturais da procura.
Relativamente aos dados divulgados pela Informa D&B, que indicam o encerramento de 44 empresas das áreas têxtil e moda em janeiro, num total de 596 fechos em Portugal, Ana Dinis defende que os números devem ser analisados com cautela. O setor integra cerca de 12 mil empresas, muitas de pequena dimensão, o que implica alguma dinâmica natural de ajustamento. Segundo a responsável, sem informação adicional sobre a atividade, o número de trabalhadores envolvidos ou o peso económico das empresas encerradas, não é possível concluir que exista um agravamento estrutural da situação.

