A bacia hidrográfica do Mondego era, às 08h00 desta quinta-feira, a única do território continental classificada em situação de risco, com a barragem da Aguieira a registar um nível de armazenamento superior a 99% da sua capacidade.
De acordo com os dados mais recentes, a albufeira atingiu 99,04% de enchimento, correspondente à cota de 124,5 metros — o valor mais elevado desde o início das inundações no Baixo Mondego. O nível máximo de segurança da infraestrutura está fixado nos 126 metros, limite a partir do qual a barragem deixa de conseguir reter água adicional, tornando obrigatória a descarga para garantir a integridade da estrutura.
O volume armazenado tem vindo a aumentar de forma significativa desde quarta-feira de manhã, quando se situava nos 72%. Às 08h00 de hoje, o caudal libertado era de 930 metros cúbicos por segundo (m³/s), ligeiramente abaixo do pico de 958 m³/s registado durante a madrugada. No entanto, o caudal afluente mantinha-se superior, nos 1.054 m³/s, indicando que a barragem continuava a receber mais água do que aquela que estava a descarregar. Ainda assim, a afluência tem vindo a diminuir desde as 21h00 de quarta-feira, momento em que ultrapassou os 1.750 m³/s.
No terreno, mantinha-se em nível vermelho a Ponte de Santa Clara, na zona baixa de Coimbra, onde o nível da água atingia 4,23 metros. Em alerta amarelo estavam a Ponte da Conraria, no rio Ceira, com caudal acima dos 435 m³/s, e a Ponte do Cabouco, também no Ceira, com mais de 206 m³/s.
Na Ponte-Açude de Coimbra, o caudal registado às 08h00 era de 1.982 m³/s, abaixo dos 2.105 m³/s observados ao final da tarde de quarta-feira. Foi nesse período que ocorreu um aluimento na margem direita do Mondego, junto à localidade de Casais, provocando danos na Autoestrada 1 (A1) e obrigando ao encerramento da via naquele troço.
Contactadas, tanto a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) como o Ministério do Ambiente e Energia ainda não prestaram esclarecimentos detalhados sobre o funcionamento do sistema hidráulico do Mondego e a situação específica da barragem da Aguieira. Também o Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Coimbra não disponibilizou, até ao início da manhã, responsáveis para comentar a evolução do cenário.

