LUANDA (08/02/2026) – Idoso de 72 anosde idade e cidadão angolano Teca Manuel, de naturalidade do Uíge, actualmente em Luanda, vive um pesadelo que dura há mais de uma década. O que deveria ser uma fonte de rendimento tornou-se um caso de polícia, justiça morosa e suspeitas de falsificação de documentos envolvendo um inquilino de nacionalidade estrangeira de Bangladesh, país localizado no continente asiático, identificado como Joel (ou Zaki).
O conflito iniciou em 2012. Segundo o proprietário, o inquilino entrou no imóvel de forma litigioso, alegando falta de dinheiro logo no primeiro mês. Entre 2012 e 2015, as dívidas acumularam-se, chegando a atingir valores astronómicos que hoje, em contas actualizadas, ultrapassam os 380 milhões de kwanzas.
“Diziam que não tinham dinheiro, mas não saíam do espaço”, relata o proprietário. Tentativas de acordo, que incluíram até a entrega de viaturas com motores avariados como forma de pagamento, nunca foram honradas.
Falsificação e Coação
O caso agravou-se com a suspeita de uma procuração falsificada. Teca Manuel afirma ter sido levado ao Cartório do Kilamba sob pretexto de assinar um documento de gestão, mas acabou por se deparar com uma assinatura que não reconhece como sua: “Assinaram ‘Teca Manuel‘, mas eu nunca assino assim. No SIC, pediram-me para assinar 40 vezes para provar a diferença”, explica.
Além da dívida, o proprietário denuncia o “sentimento de impunidade” de certos expatriados em Angola, alegando que o inquilino utiliza comprovativos de transferência falsos que nunca chegam à conta bancária.
Instituições e Justiça
Apesar de ter recorrido ao SIC, à Esquadra da Camama e ao Tribunal, o idoso sente-se desamparado. Relata episódios de mau atendimento e morosidade, onde foi questionado sobre a titularidade do seu próprio terreno enquanto o inquilino permanecee no imóvel sem pagar.
No dia 20 de dezembro de 2025, terminou o prazo de 90 dias dado para o despejo, mas o ocupante recusa-se a abandonar o local. Em gesto de desespero e solidariedade, Teca Manuel faz um apelo invulgar:
“Não quero o dinheiro, quero o espaço. Se eles não saírem com as mercadorias, peço ao Estado que as retire e entregue aos orfanatos. Há muitos angolanos a comer no lixo; eu não preciso do que é deles, só quero a minha paz.”

