Caracas/Washington – A captura do Presidente venezuelano Nicolás Maduro e da sua esposa, Cilia Flores, na sequência de uma operação militar ordenada pelos Estados Unidos, abriu um novo e imprevisível capítulo na crise política e institucional da Venezuela. A ação, confirmada pelo Presidente norte-americano Donald Trump, ocorreu após ataques aéreos e terrestres registados durante a madrugada em Caracas e em vários estados do país.
Segundo informações divulgadas pela Casa Branca, a operação envolveu helicópteros militares do tipo Chinook e forças especiais norte-americanas, que detiveram Maduro em território venezuelano e o retiraram do país por via aérea. Trump descreveu a missão como um sucesso estratégico, elogiando o planeamento e a atuação das tropas envolvidas, e garantiu que não houve baixas do lado norte-americano. As autoridades dos EUA não confirmaram, contudo, o número de vítimas venezuelanas.
O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que a intervenção teve como objetivo executar um mandado de captura emitido contra o líder venezuelano, que será agora julgado nos Estados Unidos por acusações criminais. Washington tinha recentemente elevado para 50 milhões de dólares a recompensa por informações que levassem à localização de Maduro.
De acordo com declarações atribuídas a Rubio, os ataques militares cessarão enquanto Maduro permanecer sob custódia norte-americana. O Governo dos EUA sustenta que a ofensiva foi necessária para garantir a responsabilização judicial do dirigente venezuelano.
Antes da ofensiva direta, os Estados Unidos vinham a conduzir, desde setembro, uma operação militar nas Caraíbas sob a designação “Southern Lance”, oficialmente destinada ao combate ao narcotráfico. No âmbito dessa operação, várias embarcações teriam sido destruídas e navios com crude venezuelano apreendidos, segundo fontes norte-americanas.
Fontes políticas em Washington indicam que a Casa Branca ponderou avançar com os ataques ainda em dezembro, mas decidiu adiar a ação por razões operacionais e meteorológicas.
A operação gerou reações divergentes nos Estados Unidos. Legisladores do Partido Democrata criticaram duramente a intervenção, considerando-a ilegal por não ter sido previamente autorizada pelo Congresso. Alguns senadores classificaram a ação como uma violação do direito internacional.
Em Caracas, a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, exigiu provas imediatas de vida de Nicolás Maduro e da primeira-dama, afirmando que o Governo desconhece o paradeiro do casal presidencial.
No plano internacional, vários governos acompanham a situação com apreensão. O Executivo espanhol confirmou estar a monitorizar de perto os acontecimentos e garantiu a segurança das suas representações diplomáticas na capital venezuelana.
Altos responsáveis do Departamento de Estado norte-americano defenderam a operação, afirmando que Maduro enfrentará finalmente a justiça pelos crimes de que é acusado.
A Casa Branca anunciou que o Presidente Donald Trump deverá prestar esclarecimentos adicionais numa conferência de imprensa a partir de Mar-a-Lago, onde serão detalhados os contornos do processo judicial contra Maduro e os objetivos políticos da operação.
Entretanto, permanece a incerteza sobre a situação interna da Venezuela, a continuidade do atual regime e o impacto regional da intervenção norte-americana, num contexto já marcado por forte instabilidade política, económica e social.

