Kiev voltou a ser alvo de um ataque de grande escala lançado pela Rússia na manhã deste sábado, deixando pelo menos um morto e dezenas de feridos, segundo as autoridades ucranianas. A ofensiva ocorre a poucas horas da reunião entre o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, e o presidente norte-americano, Donald Trump, marcada para domingo na Flórida.
O bombardeamento, que se estendeu por quase dez horas, envolveu o uso de mísseis e drones. Fontes locais indicam que pelo menos 22 pessoas ficaram feridas, entre as quais duas crianças. O alerta aéreo em Kiev só foi suspenso depois das 11h.
O chefe da Administração Militar de Kiev, Tymur Tkachenko, confirmou que uma vítima mortal foi encontrada entre os escombros de um edifício atingido. A infraestrutura residencial e industrial em vários bairros da capital sofreu danos significativos, com incêndios a deflagrar em prédios de grande altura e falhas no abastecimento elétrico que afetaram mais de 4.000 edifícios — cerca de um terço da cidade.
O ministro do Interior, Ihor Klymenko, adiantou que mais de dez edifícios residenciais foram atingidos. Equipes de resgate retiraram habitantes das zonas críticas e conseguiram salvar pelo menos uma pessoa soterrada sob os destroços.
Zelenskyy, que reagiu através do Telegram, denunciou que a Rússia lançou perto de 500 drones e 40 mísseis de diferentes tipos. O presidente afirmou que a infraestrutura energética e civil de Kiev foi o principal alvo e alertou que algumas áreas continuam sem energia e aquecimento.
O ataque intensifica o clima de tensão numa altura em que Zelenskyy se prepara para discutir com Trump propostas destinadas a pôr fim ao conflito, que já se arrasta há quase quatro anos. Segundo o líder ucraniano, a reunião deverá abordar questões como garantias de segurança, possíveis cenários de cessar-fogo e o futuro das regiões de Donetsk e Zaporíjia, ocupadas parcialmente pela Rússia.
Zelenskyy voltou a questionar a ausência de resposta clara de Moscovo às iniciativas diplomáticas. “Os representantes russos prolongam conversações, mas na prática os mísseis ‘Kinzhal’ e os drones ‘Shahed’ falam por eles”, declarou.
Na terça-feira, o presidente ucraniano admitiu considerar a retirada de tropas do leste industrial do país como parte de um eventual acordo de paz, desde que a Rússia também se retirasse e que a zona fosse colocada sob supervisão de forças internacionais. Até ao momento, Moscovo não manifestou abertura para abandonar os territórios ocupados.

