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Corredor do Lobito: elogios internacionais contrastam com críticas à realidade angolana

by Marcelino Gimbi

O Corredor do Lobito tem sido apresentado pelo Governo angolano, pelos Estados Unidos e pela União Europeia como um projecto emblemático de desenvolvimento regional e de resposta estratégica à crescente influência chinesa em África. No entanto, cinco meses após o relançamento político da iniciativa, análises independentes apontam para uma distância crescente entre a narrativa geopolítica e a realidade no terreno.

O jornalista e activista Rafael Marques de Morais descreve o projecto como um símbolo de “hipocrisia geopolítica”, defendendo que o corredor tem servido mais para reforçar interesses externos do que para promover melhorias concretas na vida das populações angolanas, congolesas e zambianas.

Grande parte da infraestrutura central do Corredor do Lobito assenta no Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB), reconstruído pela China entre 2006 e 2014 através de um acordo financiado por linhas de crédito pagas com receitas petrolíferas. O investimento ascendeu a cerca de 2 mil milhões de dólares.

Em 2015, Angola, República Democrática do Congo (RDC) e Zâmbia celebraram a reabertura da rota ferroviária, restabelecendo um corredor logístico crucial para o transporte de cobre e cobalto. Ainda assim, a operação permaneceu irregular, apesar do impacto da engenharia chinesa.

Com o despertar tardio dos EUA e da UE para a relevância estratégica da ferrovia, em 2023, foram anunciados 4 mil milhões de dólares destinados sobretudo a estudos, consultoria e eventuais extensões. No entanto, nenhuma destas promessas envolve a construção de carris ou locomotivas — elementos que, de facto, já existiam graças ao investimento chinês.

Apesar de ser apresentado como um consórcio de matriz ocidental, o Lobito Atlantic Railway (LAR) integra a Mota-Engil, cuja estrutura acionista tem significativa presença da estatal chinesa China Communications Construction Company.

O conflito prolongado na RDC, uma das regiões mais ricas em minerais estratégicos, continua a alimentar preocupações quanto à real utilidade do corredor para as populações locais. A instabilidade permanece sem solução à vista, apesar de ser a principal fonte dos minerais transportados pela ferrovia.

Especialistas sublinham que nem o Ocidente nem a China demonstraram empenho consistente em estabilizar a região, priorizando, antes, o acesso a recursos essenciais para as respectivas indústrias tecnológicas e energéticas.

O texto de Rafael Marques sustenta que, apesar dos discursos sobre prosperidade partilhada, Angola, Zâmbia e RDC exibem ainda fracos índices de desenvolvimento humano, apesar de décadas de investimentos de países ocidentais e da China.

Observadores destacam que a maior fragilidade do projecto reside dentro de Angola. Embora o Presidente João Lourenço tenha prometido reformas estruturais, persistem dificuldades relacionadas com a capacidade do Estado em gerir infra-estruturas e assegurar serviços públicos eficientes.

O sector educativo é apontado como uma área crítica, incapaz de produzir capital humano suficiente para sustentar uma economia forte e diversificada. A falta de integração ferroviária nacional agrava o problema: Angola possui três linhas — Benguela, Luanda e Moçâmedes — que continuam fisicamente isoladas, impedindo circulação eficiente e ligações económicas internas.

Segundo analistas, o Corredor do Lobito teria capacidade para dinamizar o comércio, apoiar empresas locais, criar empregos e estimular cadeias de valor industrial. Contudo, isso exigiria maior transparência, coordenação regional, estabilidade na RDC e políticas públicas que priorizem o desenvolvimento local em detrimento de interesses exclusivamente externos.

Para críticos, o debate não se resume à disputa geopolítica entre Estados Unidos e China. O que o corredor reflecte é a dificuldade de Angola em transformar infra-estruturas em desenvolvimento e oportunidades para as populações.

Sem uma estratégia clara que garanta benefícios reais para as comunidades ao longo da linha férrea, afirmam, o projecto arrisca tornar-se mais um corredor de saída de recursos, sem impacto significativo no bem-estar social.

A discussão intensifica-se à medida que Angola apresenta o Corredor do Lobito como uma das principais vitrines durante a 7.ª Cimeira União Africana–União Europeia, enquanto vozes independentes insistem na necessidade de maior integridade e compromisso com resultados tangíveis.

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