O político angolano Eduardo Ekundi Kassoma Chissolukombe, ex-dirigente da CASA-CE e antigo membro da UNITA, considera que os partidos históricos do país “entraram em decadência” e deixaram de representar as verdadeiras necessidades da juventude angolana.
Em declarações recentes, o jovem natural da Jamba, província do Kuando Kubango, defendeu a urgência de “novas ideias e novos actores” na arena política nacional.
Chissolukombe iniciou a militância na UNITA, onde integrou a Comissão Política da JURA em 2011, antes de se juntar à CASA-CE, onde exerceu funções no gabinete de Abel Chivukuvuku e em áreas de mobilização. Apesar da intensa experiência, admite que o seu ciclo nesses partidos terminou em 2022: “A vida tem estágios, e aquele terminou para mim.”
Para o político, MPLA e UNITA simbolizam estruturas resistentes à verdadeira renovação:
> “Há um rejuvenescer destas estruturas, mas apenas com rostos novos. O que se pretende são ideias novas. Não basta trocar pessoas se o pensamento é o mesmo.”
Segundo Chissolukombe, a juventude, que representa mais de 60% da população angolana, enfrenta exclusão, desemprego e fome, e tem procurado criar novos espaços de participação fora dos partidos tradicionais: “A juventude já não encontra espaço nesses canais e tem recorrido a movimentos reivindicativos e comunitários.”
Criticou ainda o que considera ser o clientelismo político: “Muitos jovens deixam de sonhar e tornam-se reféns de mais velhos que os controlam. Isso atrasa a participação real da juventude.”
Em 2023, lançou o projeto político Movimento do Povo para a Mudança (MPM), que visava criar uma alternativa com novos quadros e propostas. Contudo, reconhece que o processo de legalização esbarrou em obstáculos financeiros e burocráticos, exigindo valores elevados para a sua concretização: “Não se pode sonhar em criar um partido político com menos de 10 milhões de kwanzas.”
Apesar disso, assegura que não desistiu: “Foi um exercício. Aprendemos com os erros e vamos continuar. A resiliência é a bandeira que carregamos.”
Ao analisar o papel da juventude na governação atual, foi categórico: “Os jovens que hoje estão no Executivo não estão preocupados em servir, mas em se servir. O nosso desafio é formar uma geração que coloque o país em primeiro lugar.”
Chissolukombe sublinha que os partidos devem ser vistos como instrumentos de serviço à nação e não como fins em si mesmos: “Se as ideias deixam de responder às aspirações do povo, não faz sentido continuar preso a essas estruturas. O fim é servir Angola.”
O político concluiu apelando à mobilização da juventude angolana:
> “É preciso que os jovens tomem as rédeas da luta. A política não é para realização pessoal, mas para construir um futuro coletivo. Angola precisa de ideias novas e coragem para romper com a decadência dos partidos tradicionais.”

