A Assembleia-Geral das Nações Unidas aprovou, esta sexta-feira (13), uma resolução não-vinculativa que reafirma o apoio à solução de dois Estados como caminho para a paz entre Israel e a Palestina. A iniciativa foi apresentada por França e Arábia Saudita e contou com o apoio de 142 países, contra 10 votos e 12 abstenções.
A chamada Declaração de Nova Iorque defende o reconhecimento de um Estado palestiniano independente, governado pela Autoridade Palestiniana (AP), e prevê a criação de um comité administrativo de transição após um cessar-fogo em Gaza. O documento determina ainda que o Hamas entregue as armas à AP e liberte todos os reféns que permanecem sob seu poder.
A resolução também recomenda o envio de uma missão apoiada pela ONU para garantir a proteção de civis israelitas e palestinianos, supervisionar o cessar-fogo e apoiar um futuro acordo de paz.
O texto condena tanto os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, que resultaram em cerca de 1.200 mortos e 250 reféns em Israel, como as ofensivas militares israelitas em Gaza, que, segundo o Ministério da Saúde do território, já causaram mais de 64 mil mortos, em grande parte mulheres e crianças. A ONU alerta ainda para a grave crise humanitária e a situação de fome que afeta a população da Faixa de Gaza.
A declaração classifica o reconhecimento de um Estado palestiniano como “componente essencial e indispensável” para alcançar a paz e critica as “ações unilaterais ilegais” que, sem mencionar diretamente Israel, são vistas como uma ameaça à criação desse Estado.
O embaixador palestiniano na ONU, Riyah Mansour, celebrou o resultado, afirmando que o voto expressa “o desejo da comunidade internacional de abrir a porta à paz”. Já Israel rejeitou a resolução, considerando-a um gesto vazio que “enfraquece a credibilidade da Assembleia-Geral”.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu reiterou a sua oposição a um Estado palestiniano, defendendo que “a Cisjordânia pertence a Israel”. O aliado mais próximo de Telavive, os Estados Unidos, também votaram contra a medida, classificando-a como um “golpe publicitário inoportuno” que prejudica esforços diplomáticos.
Entre os países que se juntaram a Israel e EUA no voto contra estão Argentina, Hungria, Paraguai e Tonga.

