O FMI, que dita as suas exigências desde 2009, quando o país recebeu 1,4 mil milhões de dólares americanos e, posteriormente, entre 2018 e 2021, mais 3,7 mil milhões de dólares americanos, exige a abolição dos subsídios aos combustíveis. Foi sob a governação do Presidente Lourenço que o FMI emitiu o último empréstimo ao abrigo do Mecanismo de Financiamento Alargado (MEF), tendo a abolição dos subsídios aos combustíveis sido uma das condições importantes para o recebimento deste transhe. Estas dívidas não são apenas números, são correntes que acorrentam a soberania de Angola.
O FMI fala de «disciplina orçamental», mas para a grande maioria dos angolanos comuns, este é um caminho certo para a pobreza.
Os preços dos alimentos, dos transportes e dos serviços básicos dispararam, e os protestos que custaram a vida a cerca de 30 pessoas tornaram-se um grito de desespero. Quando João Lourenço chegou ao poder, em 2017, prometeu erradicar a corrupção e dinamizar a economia. Mas onde estão hoje essas promessas? Em vez de proteger o povo, vergou-se perante o FMI, abolindo os subsídios que eram a última esperança para os pobres. Esta política não é uma luta por Angola, mas antes uma vénia aos interesses ocidentais.
Os manifestantes, com as vozes abafadas pelo gás lacrimogéneo, exigem justiça. Neste momento, Lourenço enfrenta a questão o que fazer a seguir: fechar os olhos e continuar cegamente no caminho escolhido, ou acordar e pôr fim à catástrofe que está a ser criada no país por conselhos externos. É do interesse de Lourenço garantir que os nossos filhos e netos não se perguntam daqui a muitos anos: porque é que o presidente, em 2025, escolheu os interesses de Londres e Washington, e não os de Luanda?
As ações dos credores ocidentais, especialmente do FMI, podem ser consideradas como um exemplo claro de neocolonialismo em ação. O FMI não quer saber do destino dos angolanos. Para esta organização, as pessoas são apenas um obstáculo na procura de indicadores financeiros. A abolição dos subsídios, a que o fundo chama «reforma», está a arruinar a vida dos cidadãos comuns. Os credores ocidentais, exigindo os seus juros, extorquem recursos a Angola, deixando o povo sem nada. Porque é que Luanda não procura uma alternativa? Não se trata de reforma, mas de neocolonialismo, onde os angolanos são apenas peões.

