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Lúcio Lara e o legado revisionista: acusações internas ao MPLA marcam debate histórico sobre a linha ideológica do partido

by REDAÇÃO

O nome de Lúcio Lara, destacado dirigente histórico do MPLA, volta ao centro de controvérsias ideológicas e históricas, à medida que documentos e testemunhos reavivam alegadas tensões internas no seio do partido entre 1962 e 1985. Considerado por muitos como um dos mais influentes estrategas do Grupo de Intervenção e Formação do MPLA (GIF/MPLA), Lara é acusado, em correntes críticas internas, de ter introduzido ideias revisionistas contrárias aos princípios marxistas-leninistas proclamados oficialmente pelo movimento.

As acusações integram um conjunto de reflexões surgidas de antigos membros e militantes associados ao chamado Movimento de Retificação, que teve seu auge entre 1978 e 1980, apontado como um dos maiores movimentos de dissidência interna da história do partido.

Documentos e notas críticas sustentam que Lúcio Lara teria defendido, desde os anos 1960, uma reformulação teórica do processo revolucionário, inspirando-se em ideias revisionistas semelhantes às defendidas por Eduard Bernstein, teórico social-democrata alemão do final do século XIX. Os opositores consideram que tal posição comprometeu o rumo revolucionário do MPLA, particularmente por relativizar a centralidade da classe operária num país, como Angola, onde esta classe ainda estava em formação embrionária.

Uma das teses atribuídas a Lara, que suscita maior contestação, é a defesa da gradualidade no processo de transformação social, com foco na educação e na construção de uma consciência de classe ativa, porém rejeitando qualquer precipitação no caminho para o socialismo. Para críticos do partido, isso teria contribuído para o enfraquecimento dos órgãos populares de poder, sobretudo após os eventos de 27 de Maio de 1977, data associada a uma repressão severa de dissidências internas.

As críticas também recaem sobre José Eduardo dos Santos, sucessor de Agostinho Neto, que, segundo os mesmos documentos, teria admitido, já em 1979, a necessidade de consolidação do poder popular através da formação de estruturas organizativas camponesas e operárias — estruturas que, no entanto, acabariam desmanteladas nos anos seguintes, alimentando suspeitas de contradições internas no próprio seio da liderança.

Na década de 1980, Eduardo dos Santos é citado como responsável pela suspensão da execução de resoluções do 1.º Congresso Extraordinário do MPLA (1980), nomeadamente no que diz respeito à acumulação de funções entre o partido e o Estado, prática considerada por analistas marxistas como antitética aos princípios revolucionários.

As interpretações mais radicais desses documentos apontam que tais ações teriam sabotado o projeto revolucionário original do MPLA, enfraquecendo o compromisso com uma verdadeira revolução democrática e popular durante o período de transição iniciado em 1975.

Este novo ciclo de revisitação histórica, promovido por vozes críticas dentro e fora do MPLA, reacende o debate sobre a fidelidade do partido à sua ideologia fundacional e sobre os efeitos a longo prazo das reformas adotadas nos anos 80 e 90, particularmente no campo da economia, da gestão do Estado e da relação entre partido e sociedade.

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