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Banco Mundial vê África a acelerar para 3,4% mas alerta para vários riscos

A inflação deverá reduzir-se, em média, de 7,1% em 2023 para 5,1% este ano e 5% em 2025 e 2026, devido “à normalização das cadeias globais de abastecimento, ao declínio sustentado dos preços das matérias-primas e aos impactos dos apertos monetários e da consolidação orçamental”, apontam os analistas.

O Banco Mundial prevê que as economias da África subsaariana recuperem para 3,4% este ano e 3,8% em 2025, impulsionadas pelo consumo privado, num contexto de falta de liquidez e recuperação “muito frágil” da região.

“Depois de bater no fundo em 2023, com um crescimento de 2,6%, o crescimento económico na África subsaariana deverá chegar aos 3,4% este ano e 3,8% em 2025, com a recuperação assente principalmente no aumento do consumo privado, que beneficia da queda da inflação, impulsionando o poder de compra das famílias”, lê-se no relatório Pulsar de África.

No relatório hoje divulgado em Washington, com o título ‘Combater a desigualdade para revitalizar o crescimento e reduzir a pobreza em África’, o gabinete do economista-chefe para África, Andrew Dabalen, escreve que “o crescimento do investimento vai continuar limitado porque as taxas de juro deverão manter-se elevadas, com a consolidação orçamental a dificultar o crescimento do consumo”.

A inflação deverá reduzir-se, em média, de 7,1% em 2023 para 5,1% este ano e 5% em 2025 e 2026, devido “à normalização das cadeias globais de abastecimento, ao declínio sustentado dos preços das matérias-primas e aos impactos dos apertos monetários e da consolidação orçamental”, apontam os analistas, notando, ainda assim, que o panorama varia muito de país para país.

Ainda que a inflação esteja a descer na maioria dos países este ano, “continua elevada quando comparada com os níveis anteriores à época da pandemia em 32 dos 37 países, havendo 14, entre os quais Angola, que continuam com níveis persistentemente elevados, nos quais a inflação caiu apenas de 25,9%, em 2023, para 24,8% em 2024”.

No relatório, o gabinete do economista-chefe para África no Banco Mundial mostra-se ainda preocupado com os níveis de elevada dívida pública nos países da região, que dificulta o investimento em setores essenciais para relançar o desenvolvimento económico.

Apesar de o rácio da dívida sobre o PIB dever cair de 61% em 2023 para 57% este ano, o mais preocupante é que mesmo esta redução não chega para aliviar as contas públicas das economias da região, com metade dos países africanos “a terem problemas de liquidez externa, a enfrentarem fardos insustentáveis de dívida ou estando ativamente à procura de reestruturar as suas dívidas”.

Os pagamentos de dívida pública dispararam na região devido à exposição ao financiamento comercial a empréstimos de governos que não pertencem ao Clube de Paris, o credor tradicional dos países africanos, mas que perdeu importância face à predominância da China no financiamento de África.

“O financiamento externo está mais caro do que estava antes da pandemia, apesar de as taxas de juro terem caído gradualmente face ao pico atingido em maio de 2023”, lê-se no relatório, que exemplifica que os novos ‘Eurobonds’ (dívida comercial em moeda estrangeira) emitidos pelo Quénia em fevereiro comportam uma taxa de juro anual de 9,75%, face aos 6,87% exigidos anualmente pelos investidores num financiamento que termina este ano.

Na conferência de imprensa de apresentação do relatório, Andrew Dabalen vincou que “muitos países enfrentam uma dívida elevada, com problemas de liquidez e estão a pensar em reestrutura a dívida”, num contexto em que 47%, em média, das receitas fiscais são canalizadas para os pagamentos da dívida.

“Isto é extremamente difícil, porque significa que estes países deixam de ter recursos para uma governação de qualidade e para os investimentos que são cruciais para o crescimento”, acrescentou.

Para responder a este panorama, o Banco Mundial defende um aumento da mobilização fiscal interna e mais envolvimento da comunidade internacional, nomeadamente através do financiamento concessional, isto é, com juros mais baixos e maturidades mais longas.

O relatório é divulgado nas vésperas dos Encontros da Primavera do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, que decorrem em Washington de 15 a 20 de abril.