Ministro da Agricultura diz que Angola já criou condições para atrair investimentos e afirma que o país não vai “implorar” pela chegada de empresários brasileiros.
Lusa
O ministro da Agricultura e Florestas de Angola, Isaac dos Anjos, afirmou esta quarta-feira, em Luanda, que o país continua interessado em atrair empresários brasileiros para o sector agrícola, mas deixou claro que o Governo não pretende insistir junto de investidores que não estejam dispostos a avançar.
Durante o Fórum do Agronegócio Angola/Brasil, o governante adotou um tom firme ao abordar as dificuldades apontadas por alguns empresários brasileiros para investir em Angola
“Já não estou mais disponível para pôr o meu joelho no chão a pedir: venham. Se não quiserem vir, não precisam de vir”, afirmou Isaac dos Anjos, acrescentando que os investidores também não devem permanecer apenas a apontar “inconvenientes, insucessos” e “incapacidades”.
Angola disponibiliza 800 mil hectares
Segundo o ministro, Angola colocou à disposição dos empresários brasileiros 800 mil hectares de terras, destinados à instalação de projetos agrícolas, ao ordenamento das áreas e à criação de empresas integradas com as comunidades locais.
Isaac dos Anjos garantiu ainda que foram encontradas soluções para apoiar financeiramente os investimentos, através da participação do BNDES, B-B-PROEX, BDA, FDESA e dos próprios produtores.
Para o governante, existem atualmente condições importantes para a expansão do agronegócio no país.
“Água não falta, luz não falta, projetos não faltam”, afirmou, questionando, contudo, a falta de avanço de algumas iniciativas.
“Se não anda, tem de procurar outros parceiros”, acrescentou.
Isaac dos Anjos reconheceu que o investimento agrícola envolve riscos e que os empresários procuram segurança e condições adequadas para desenvolver os seus negócios.
Ainda assim, defendeu que os investidores interessados em Angola devem compreender as condições existentes no país e participar na construção das infraestruturas necessárias.
“Estamos a pedir aos brasileiros que se instalem cá, produzam cá, exportem o vosso dinheiro para o Brasil, e as condições que oferecemos são as que temos”, afirmou.
O ministro também defendeu uma mudança no modelo económico angolano, destacando a necessidade de o país deixar progressivamente de depender da importação de alimentos e avançar para uma fase de produção agrícola nacional e exportação.
O governante sublinhou que Angola pretende fortalecer as parcerias com investidores brasileiros e criar condições para aumentar a produção agrícola, incluindo soja e outros produtos destinados ao mercado internacional.
Isaac dos Anjos explicou que os empresários brasileiros foram convidados precisamente para identificar os principais obstáculos ao investimento e que foi criada uma comissão específica para analisar essas dificuldades.
Segundo o ministro, a intenção é transformar os desafios apresentados pelos investidores em soluções concretas e criar uma relação empresarial mais equilibrada entre Angola e Brasil.
A mensagem deixada pelo Governo é clara: Angola quer investimento brasileiro, mas pretende que os investidores assumam também o compromisso de produzir, criar emprego e participar no desenvolvimento do sector agrícola nacional.

