O Parlamento do Irão está a preparar uma proposta legislativa que prevê a cobrança de taxas a navios que atravessem o estratégico Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio mundial de petróleo. A iniciativa visa reforçar a soberania iraniana sobre a passagem marítima e, simultaneamente, gerar receitas através da prestação de serviços de segurança às embarcações.
A medida surge num contexto de forte tensão regional, com Teerão a manter restrições à circulação no estreito desde o início do conflito com os Estados Unidos e Israel, permitindo apenas a passagem a países considerados aliados. O bloqueio tem contribuído para a subida dos preços do petróleo e agravado a instabilidade nos mercados energéticos.
Entretanto, as Forças de Defesa de Israel anunciaram a realização de uma vaga de ataques “em grande escala” contra alvos no território iraniano, incluindo a cidade de Isfahan, um ponto estratégico que concentra infraestruturas militares e nucleares. Os detalhes da operação não foram divulgados, mas os bombardeamentos inserem-se numa escalada contínua desde o final de fevereiro.
Do lado iraniano, a Guarda Revolucionária Islâmica confirmou novos ataques com mísseis e drones contra posições israelitas e interesses norte-americanos na região do Golfo.
No plano diplomático, a China considera existir uma oportunidade para reduzir as tensões. O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, apelou ao diálogo entre as partes, afirmando que há sinais de abertura tanto de Teerão como de Washington para eventuais negociações.
Já a Austrália anunciou a suspensão temporária da entrada de cidadãos com passaporte iraniano, por um período de seis meses, justificando a decisão com a necessidade de proteger o sistema migratório. A medida surge num momento de crescente pressão internacional relacionada com o conflito.
No setor energético, o Japão começou a libertar reservas estratégicas de petróleo para compensar a redução do abastecimento provocada pelas restrições no Estreito de Ormuz. A decisão visa estabilizar o mercado interno e mitigar o impacto da subida dos preços dos combustíveis.
Por sua vez, as Filipinas receberam recentemente uma carga significativa de petróleo russo, numa tentativa de garantir fornecimento após declararem estado de emergência energética. O país asiático depende fortemente de importações e tem sido particularmente afetado pela disrupção no fornecimento global.
O conflito no Médio Oriente continua assim a provocar efeitos em cadeia, desde a segurança internacional até aos mercados energéticos, enquanto os esforços diplomáticos ainda não conseguem travar a escalada militar.

