O ex-deputado da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), António Muchanga, reagiu à decisão de suspensão anunciada pela direção do partido, classificando o processo como “inexistente” e acusando a atual liderança de promover perseguições internas para silenciar vozes críticas.
Em declarações à DW África, Muchanga afirmou que não foi formalmente notificado nem ouvido no âmbito de qualquer procedimento disciplinar, sustentando que não houve reunião válida do Conselho Jurisdicional — órgão responsável por processos internos — para deliberar sobre o caso. Segundo o político, a alegada decisão resulta de uma ação isolada e não cumpre os trâmites previstos nos estatutos do partido.
A suspensão surge após a participação de Muchanga num encontro realizado no último fim de semana, no qual foi defendida a renúncia do presidente da RENAMO, Ossufo Momade. O antigo deputado entende que a medida visa intimidar membros que contestam a atual liderança e impedir o debate interno.
Muchanga acusa Momade de tentar afastar críticos para consolidar a sua posição ou influenciar a escolha de um sucessor alinhado com a atual direção. “É uma forma de intimidar”, afirmou, acrescentando que continuará a considerar-se membro do partido, por entender que a decisão não tem validade formal.

Muchanga reage à suspensão e acusa liderança da RENAMO de “intimidação”
O dirigente foi mais longe ao sugerir que poderá revelar alegadas irregularidades internas caso a situação se mantenha, afirmando possuir informações e testemunhos que sustentariam as suas acusações.
Questionado sobre o estado do partido, Muchanga descreveu a RENAMO como estando numa situação delicada, recorrendo a metáforas para ilustrar o que considera ser um processo de declínio. Na sua perspetiva, a recente tensão interna pode agravar a crise política no seio da maior força da oposição moçambicana.
Até ao momento, a direção da RENAMO não reagiu publicamente às declarações de António Muchanga.

