Faleceu esta terça-feira, em Luanda, Carlos Alberto de Andrade Leitão, fundador e primeiro presidente do Partido de Apoio Democrático e Progresso de Angola (PADEPA). A morte ocorreu na sua residência, localizada no bairro da Precol, município do Rangel, na rua Arco-Íris, em consequência de doença.
A notícia do óbito gerou consternação entre familiares, amigos e membros da comunidade local, que manifestaram publicamente solidariedade e endereçaram condolências à família enlutada.
Carlos Leitão marcou a vida política angolana ao criar, em 2005, o PADEPA, uma formação partidária que pretendia afirmar-se como alternativa democrática num contexto político fortemente dominado pelo MPLA e pela UNITA. O projecto surgiu num período de abertura limitada do sistema político, em que novas forças enfrentavam dificuldades significativas de implantação e consolidação.
Apesar do dinamismo inicial, o partido não conseguiu superar obstáculos estruturais e eleitorais. Nas eleições legislativas de 2008, o PADEPA obteve 0,27% dos votos, resultado inferior ao limiar legal exigido, o que levou à sua extinção por decisão do Tribunal Constitucional.
Durante a existência do partido, Carlos Leitão esteve envolvido em disputas internas e enfrentou processos judiciais relacionados com a gestão e liderança da organização. Ainda assim, foi reconhecido por sectores da oposição como uma figura disciplinada e exigente, mantendo um perfil de rigor político num ambiente adverso às formações emergentes.
Após a dissolução do PADEPA, afastou-se da actividade política regular e passou a manter uma presença pública discreta. Mesmo assim, continuou a ser recordado como representante de uma geração que procurou alargar o pluralismo político em Angola, num período marcado por forte hegemonia partidária.
A morte de Carlos Leitão encerra um capítulo da história política recente do país. O seu percurso permanece associado à tentativa de construção de alternativas democráticas e ao esforço de afirmação de novos actores no espaço político angolano.

