Luanda – Passageiros que recorrem a serviços de transporte por aplicativo no Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto têm denunciado práticas de cobrança abusiva por parte de alguns motoristas das plataformas Yango e Heetch, que alteram os valores das corridas no momento da recolha.
De acordo com relatos recolhidos pelo jornal *O País*, os preços apresentados nos aplicativos não correspondem aos valores exigidos pelos motoristas à chegada ao aeroporto. A situação afeta sobretudo cidadãos estrangeiros, que preferiram não se identificar, mas afirmam sentir-se constrangidos e lesados.
Segundo um dos utilizadores, após solicitar o serviço através do aplicativo, o valor aparece previamente definido ou estimado. Contudo, quando o motorista chega ao local, impõe um preço superior, alegando que as tarifas praticadas no novo aeroporto são diferentes das indicadas na plataforma, caracterizando, no entender dos passageiros, uma forma de extorsão.
Para confirmar as denúncias, a equipa de reportagem realizou uma simulação no local. Ao solicitar uma corrida da Yango com destino a Talatona, o aplicativo indicava um valor entre 8 e 11 mil kwanzas. No entanto, ao contactar o motorista no parque de estacionamento, este informou que o preço real seria de 16 mil kwanzas, justificando que as tarifas do aplicativo não estariam actualizadas para aquela zona. Perante a recusa, a corrida foi cancelada sem resistência por parte do condutor.
Motoristas de cooperativas autorizadas a operar no aeroporto afirmam que a presença de táxis por aplicativo tem gerado conflitos e prejuízos. Santo António, motorista de uma cooperativa licenciada, explicou que os operadores oficiais pagam cerca de 40 mil kwanzas por semana para exercer a actividade no aeroporto, além de outras despesas, e ainda assim competem com motoristas que não possuem autorização.
Outro motorista, identificado como Miguel, confirmou que os condutores de aplicativos não podem operar directamente na zona frontal do aeroporto. Segundo ele, estes permanecem no parque de estacionamento, captam clientes pela plataforma digital e, posteriormente, negociam valores fora do aplicativo, prática considerada irregular.
Em reação às queixas, o representante da Yango Ride em Angola, Benjamin António, afirmou que a empresa não concorda com qualquer alteração de preços fora do sistema. Sublinhou que os motoristas estão contratualmente obrigados a aceitar os valores definidos electronicamente e apelou aos passageiros para denunciarem qualquer tentativa de cobrança indevida através do aplicativo ou do serviço de suporte.
Já o director-geral da Heetch em Angola, Álvaro de Veciana, classificou como falsa a alegação de que as tarifas do aeroporto não estejam ajustadas, explicando que o cálculo é feito com base na distância, duração da viagem e outros factores. O responsável reconheceu, contudo, que alguns motoristas tentam negociar valores paralelos por considerarem as tarifas pouco atractivas, o que constitui uma violação grave das normas da empresa.
Álvaro de Veciana alertou ainda que aceitar corridas fora do aplicativo retira ao passageiro toda a cobertura de segurança e monitorização oferecida pela plataforma. Garantiu que a empresa está a trabalhar na identificação e bloqueio dos motoristas infractores e apelou aos utilizadores para rejeitarem qualquer valor diferente do indicado no aplicativo e denunciarem de imediato a situação, seja pela linha de apoio 225 416 000 ou pela própria aplicação.

