Luanda – A Transportes Colectivos e Urbanos de Luanda (TCUL), principal empresa pública de transporte da capital, enfrenta uma crise financeira que, segundo o sindicato, é resultado de uma gestão deliberada para conduzir a companhia à falência. A Direcção nega as acusações, mas admite a situação crítica, enquanto a transportadora privada Rosalina Express regista forte crescimento e opera com autocarros adquiridos com fundos públicos.
O primeiro secretário da Comissão Sindical da CGSILA na TCUL, José Panzo, afirma que a má situação financeira não se deve a falta de capacidade técnica ou humana, mas a decisões propositadas da gestão. Desde 2020, a empresa terá recebido mais de 400 autocarros, dos quais apenas 40 circulariam diariamente, número que a Direcção contesta, indicando 64 veículos em operação num total de 233.
Apesar de não suportar directamente os custos de combustível e de contar com manutenção assegurada pela fornecedora IVECO, a empresa mantém resultados negativos. Para Panzo, o aumento da tarifa para 200 kwanzas não reverteu o quadro, reforçando a tese de falência intencional.
A administração da TCUL confirma que a empresa está tecnicamente falida desde 2019, mas garante esforços para a recuperação. A escassez de autocarros em circulação tem ainda impacto no quadro de pessoal, que regista um excedente de 610 funcionários entre os 1.762 existentes.
Enquanto isso, a Rosalina Express, sediada em Benguela e pertencente a Edgar Paiva Oseas Hungulo, expande-se para Luanda, Huíla e Huambo, operando inclusive com cinco autocarros entregues pelo Governo Provincial de Luanda. A empresa nega qualquer favorecimento, assegurando que todos os meios foram obtidos por via de concursos e que cumprem os pagamentos ao Estado.

TCUL em falência técnica enquanto Rosalina Express expande operações com apoio estatal
Fundada em 2014, a Rosalina Express Group Limitada começou como um negócio individual e hoje emprega cerca de 2.020 trabalhadores. Recentemente, anunciou o lançamento do “Rosalina Premium Flights”, um novo serviço voltado para mobilidade aérea diferenciada.
A disparidade de trajectória entre a TCUL, mergulhada em dificuldades, e a Rosalina Express, em franco crescimento, alimenta debates sobre alegado favorecimento a operadores privados e o papel do Estado no sector dos transportes em Angola.

