O Fundo Soberano de Moçambique (FSM) registou um crescimento de 6,5% nos primeiros três meses de funcionamento, atingindo aproximadamente 117 milhões de dólares. A informação foi divulgada pelo Banco de Moçambique, entidade responsável pela gestão operacional do fundo.
Segundo o banco central, a valorização ocorreu entre dezembro de 2025 e o início de março de 2026, período que corresponde às primeiras etapas de funcionamento do mecanismo financeiro. O aumento do valor foi impulsionado principalmente pelas receitas iniciais provenientes da exploração de gás natural liquefeito no país.
O fundo começou a ser capitalizado a 10 de dezembro de 2025, quando o Governo transferiu cerca de 109,97 milhões de dólares para o banco central. Posteriormente, a 6 de janeiro de 2026, foi efetuada uma nova transferência no valor de aproximadamente 6,2 milhões de dólares. A soma desses recursos, aliada à valorização de investimentos financeiros aplicados em três bancos no exterior, contribuiu para a evolução positiva do fundo.
Criado para gerir parte das receitas provenientes dos recursos naturais, especialmente do gás natural extraído na Bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado, o fundo tem como objetivo reforçar a poupança nacional e financiar projetos estruturantes de desenvolvimento económico e social.
O mecanismo foi instituído após a aprovação da respetiva lei pela Assembleia da República de Moçambique, em dezembro de 2023. A legislação estabelece que 40% das receitas anuais obtidas com a exploração de gás natural devem ser canalizadas para o fundo. Estimativas indicam que, a partir da década de 2040, essas receitas poderão atingir cerca de seis mil milhões de dólares por ano, dependendo da evolução da produção e do mercado energético internacional.
De acordo com o Banco de Moçambique, o fundo funciona como uma carteira de investimentos financeiros gerida com base em critérios técnicos e dentro das regras definidas na lei. A instituição tem a responsabilidade de aplicar os recursos no mercado financeiro internacional, procurando preservar e aumentar o valor do capital, respeitando limites de risco previamente estabelecidos.
Além de promover a poupança e a acumulação de riqueza para as gerações futuras, o Fundo Soberano deverá contribuir para a estabilidade macroeconómica e servir como instrumento de apoio ao Orçamento do Estado.
A criação do fundo ocorre num contexto de desenvolvimento de grandes projetos de gás natural na Bacia do Rovuma. Entre eles está o projeto liderado pela TotalEnergies, com capacidade prevista para produzir cerca de 13 milhões de toneladas de gás natural liquefeito por ano, atualmente em processo de retoma após ter sido suspenso devido à instabilidade de segurança na região.
Outro empreendimento relevante é o projeto conduzido pela ExxonMobil, que prevê uma produção anual de cerca de 18 milhões de toneladas de gás natural liquefeito, embora a decisão final de investimento ainda esteja pendente.
Na mesma região opera ainda o consórcio liderado pela empresa italiana Eni, responsável pela unidade flutuante Coral Sul FLNG, em funcionamento desde 2022 e dedicada à produção de gás natural liquefeito em águas ultraprofundas.
A evolução destes projetos é considerada determinante para o reforço do Fundo Soberano, uma vez que uma parte significativa das receitas geradas pela exploração de gás deverá alimentar o mecanismo financeiro criado para apoiar o desenvolvimento económico de Moçambique.

